Advocacia: mais uma profissão no mercado jurídico ou uma vocação?

As mudanças na advocacia incluem a relação entre cliente e advogado, cobrança nos honorários advocatícios, formas de prospecção de clientes, análise estratégica do mercado jurídico e o papel do advogado nos conflitos.

Por que você escolheu a advocacia?

Esse artigo vai tratar de um assunto um tanto quanto delicado para nós advogados e advogadas. É sobre o motivo que nos fez decidir advogar. Ou seja, qual o contexto fático em que isso se deu, quem nos influenciou, quais foram as crenças nas quais nos baseamos para escolher a advocacia. Enfim, o que se deseja é buscar alguns elementos que foram fundamentais para nossa decisão de advogar algum tempo atrás.

E qual a relevância dessa pergunta? Eu respondo: TODA!

1. Advocacia em transição: as mudanças na profissão

Estamos no exato olho do furacão. Vivemos um desaparecimento do modo tradicional de advogar, abaixo comentado. E vemos, assim, nascer um novo modus operandi. Em épocas de transição na advocacia, com um todo, então, temos que compreender cada vez mais os motivos dessa transição. Isto significa observar também as necessidades do mercado e, mais, o sinais que nos revelam para onde vamos.

Ou você não quer saber o que precisa saber para continuar advogando nos próximos anos? Se você deseja algumas pistas, continue lendo essa singela resenha.

Os motivos que abalam o cenário de atuação do advogado são diversos. Podem decorrer de mudanças políticas, sociais, econômicas, que repercutem diretamente na elaboração das normas jurídicas, concretização e modificação de direitos consolidados. Mas também podem chegar até as ondulações do pensamento jurídico dos Tribunais, que navega entre o deferimento de direitos e, muitas vezes, restrições.

Não obstante, não raro atende essa ondulação às politicas de redução de judicialização de demandas, como se dá, no âmbito processual, com a criação das condições de admissibilidade de um recurso, ou ainda com a criação de precedentes que impedem novas e amiúde discussões de causas repetitivas, até o indeferimento dos mesmos direitos, numa oscilação que compromete a segurança jurídica que o Poder Judiciário deveria oferecer aos cidadãos.



Quanto maior o grau de vinculação das decisões judiciais à vontade política, menos dogmatismo jurídico e maior será a insegurança do jurisdicionado ao buscar resolver seus conflitos de forma heterônoma. E isso é o que mais temos visto na advocacia, nos últimos 5 anos, no mínimo, no Brasil.

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2. Como o novo cenário afeta o advogado e a advogada?

Este cenário afeta o advogado e a advogada mais do que você imagina!

As oscilações no pensamento jurídico causam insegurança principalmente ao advogado que não consegue dar muita segurança ao seu cliente dos resultados de uma demanda, por mais “óbvia” que seja. Isto é, por melhor que o direito dele(a) seja, ou maior a sua probabilidade, o repasse dessa confiança é dificultado. Inclui-se aí aquele pensamento jurídico utilizado na elaboração da norma, mas principalmente aquele que é resultado da interpretação desta, seja num caso concreto – controle concentrado – seja num caso abstrato – controle difuso.

Há duas décadas, esse cenário era outro. O advogado fazia uma avaliação da demanda, a partir da análise do direito em si, da probabilidade de êxito no Tribunal em que atua, no âmbito federal e, assim, concluía o diagnóstico do caso. Ou seja, definia o tipo de procedimento a adotar. E muitas vezes, cobrava apenas no êxito, pois sabia antecipadamente e de forma segura as chances desse resultado.

Cobrar honorários advocatícios só no êxito hoje? Praticamente impossível, pois o advogado ou a advogada poderá ficar sem ser remunerado pelo trabalho. Sem segurança quanto à probabilidade de êxito, ganha reforço a natureza de meio da advocacia, dada a imprevisibilidade do entendimento do Poder Judiciário.

Hoje, essa previsão é, no mínimo, temerária. Nossa profissão envolve uma obrigação de natureza de meio e não de resultado, sabemos. Todavia, é com base na probabilidade de êxito da demanda, nos custos que a cercam, nos valores envolvidos, no tempo de conclusão do processo que o cliente lhe contratava ou não para judicialização. Hodiernamente, como ficou muito difícil esse diagnóstico, menos provável que o cliente se sinta “animado” e “confiante” para acreditar no Êxito se tudo muda o tempo todo.

3. Um novo perfil de profissão no mercado jurídico

Além da mudança acima, pode-se incluir também outras. É o caso, por exemplo, da forma de captação da clientela, que hoje denominamos mais legitimamente de prospecção. A escolha da área de atuação, também, já não se dá por simples paixão, mas sim por uma análise mais estratégia de mercado jurídico, alinhada com suas habilidades principais. A estruturação do escritório de advocacia em grandes estruturas são caras e estão em declínio.

A organização e sistematização dos processos e procedimentos do escritório também sofreu alterações. Um exemplo é o armazenamento dos documentos e processos que é mais virtual, em nuvem, do que físico. A própria credibilidade do advogado também refletiu no perfil da advocacia. Isto porque a sua credibilidade foi questionada diante de tantos profissionais envolvidos com corrupção e desonestidade de um modo geral a criar desconfiança na qualidade da nossa atuação.

Esses e outros fatores nos levam, advogados e advogadas, a uma atuação cada vez mais extrajudicial, consultiva e de assessoramento, na gestão e prevenção de conflitos, agregando nossos valores para a advocacia. Quanto mais rápida, efetiva e autônoma, sendo a demanda de direito disponível, for a resolução do conflito, mais efetiva e valorizada a atuação do advogado.

4. Vocação versus ambição

Nesse contexto, é importante se perguntar se realmente você exerce a advocacia por vocação, ou seja, se a busca pela justiça é um objetivo realmente seu, pelo qual sua alma vibra e você o faz com amor e dedicação, ou se você abraçou a profissão pela possibilidades de ganho, status social, influencia ou tradição familiar etc.

Se foi por vocação, certamente, o advogado e a advogada sobreviverão aos ciclos da profissão, em especial a esse em que atualmente estamos atravessando, porque o estado vocacional vibra no interior do individuo e faz com ele, por amor à causa, a função maior da advocacia, lute por melhoras, capacitando-se e se desenvolvendo, inclusive, esse estado imanente de motivação por vocação faz o advogado enxergar além dos obstáculos e criar oportunidades.

A escolha calcada em objetivos mais superficiais e externo não ressoa internamente, isso faz com que o advogado se desestimule mais facilmente, não enxergue oportunidades, porque a dificuldade ou a falta do elemento que ele viu como valor primordial (status, dinheiro, tradição,etc) acaba por dissuadi-lo da missão de compreender os percalsos da advocacia e assim desista de investir nela, gerando frustrações.

Então, sua advocacia é mais uma profissão ou se trata de sua vocação?

Ser vocacionado é um valioso combustível para impulsionar sua advocacia!

Investigue esse porquê dentro de você, colega, responda a essa pergunta de forma verdadeira e saiba como reconstruir sua advocacia, como atravessar com segurança e performance esse período que anuncia novas formas de trabalharmos com o Direito, concretizando com mais profundidade a função social da nossa profissão: realizar o Direito no caso concreto, garantindo meios equilibrados de defesa dos direitos dos nossos clientes.

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