E se os advogados famosos da história vivessem nos tempos atuais?

Como os advogados famosos estariam hoje?

Há algum tempo, ouve-se a pergunta: onde estão os advogados famosos dos tempos atuais? É claro, muitos profissionais somente são reconhecidos depois de anos de trajetória. E é possível que vários venham a óbito antes de receberem os louros de sua carreira. Pode levar anos até que uma tese tenha sua importância reconhecia no meio jurídico. E, em geral, é necessário que sejam adotadas pela jurisprudência para que se façam conhecidas. Mas haveria algo de diferente entre os advogados famosos da história do Direito e os advogados contemporâneos capaz de justificar a fama? Ou os advogados contemporâneos estão tão presos em suas rotinas, que não possuem tempo para construir o Direito do mesmo modo que os advogados do passado?

É claro, houve um boom a partir da década de 50 no número da população mundial. E é difícil não pensar que isto não teve reflexos na carreira jurídica. Afinal, quanto mais pessoas, mais complexas as relações sociais. De fato, segundo Luhmann, o aumento da população e da complexidade na organização social é o que motiva o processo de diferenciação dos sistemas. Portanto, o número de conflitos tende a aumentar proporcionalmente ao número de habitantes e, consequentemente, aumentam as demandas e diminui o tempo disponível para o estudo de teses mais complexas.

E também não se pode ignorar o alto crescimento no número de advogados ingressantes no mercado jurídico, sobretudo a partir das últimas décadas do século XX. A competitividade, desse modo, leva os profissionais de Direito a focarem em estratégias de diferenciação do mercado, mas não necessariamente através da criação de conhecimento jurídico.

E, por fim, há a questão do tempo. Com tanto para fazer, como ir além enquanto jurista na advocacia do século XXI?

advogados famosos

Entre feitos e obstáculos dos advogados famosos

Na imagem de Pontes de Miranda publicada no instagram do SAJ ADV, um comentário chama a atenção: “e nós dizendo que não temos tempo”. De fato, não é fácil publicar 60 volumes de um Tratado de Direito Privado. Mas se ele conseguiu, é possível que mais advogados e advogadas consigam também.

Por óbvio, as condições sociais e históricas possuem impacto nas conquistas. Não se pode imaginar, por exemplo, que uma pessoa que tenha que trabalhar o dobro de horas em relação a outra tenha as mesmas oportunidades. E não é possível desconsiderar as diferenças sociais que ainda marcam o país. O número de mulheres advogadas que precisam conciliar profissão, cuidados do lar e maternidade continua consideravelmente alto em relação ao número de homens, alguns dos quais podem se disponibilizar apenas a trabalhar. Então, há fatores que contribuem para a disponibilidade de dedicação e, consequentemente, diferenciação no mercado jurídico.



Apesar disso, existem exemplos de advogados famosos que fizeram a diferença apesar das adversidades e, inclusive, utilizaram-nas em sua forma de atuar, como força motriz de suas lutas. E por essa razão, entraram para a História do Direito. É o caso, por exemplo, do advogado brasileiro Luís Gama, exímio jurista abolicionista do século XIX.

As condições impactam, sim, a facilidade ou a dificuldade em se destacar no meio. Contudo, devem ser pensadas também como um incentivo para fazer a diferença, em apoio à luta própria pela igualdade de condições. E existem algumas escolhas que podem ser tomadas quando se trata de se destacar na profissão.

Evolução da advocacia: das máquinas de escrever à inteligência artificial

Desde a atuação de Luís Gama, muito mudou na sociedade e na advocacia. Luís Gama também era jornalista. E utilizava, então, a imprensa como uma forma de reagir às condições sociais do Brasil de seu tempo. Hoje, no entanto, as máquinas de escrever que ele utilizava são artigos decorativos em ambientes vintage. Muito provavelmente, hoje ele escreveria um blog, inclusive pelo alcance que este poderia ter. E utilizaria um notebook para escrever seus textos. Ou mesmo faria postagens através do smartphone.

Assim como as máquinas de escrever deram lugar aos computadores, também a tecnologia jurídica se modificou. Peças, antes, datilografadas, são digitadas. E, inclusive, há modelos de peças processuais pré-configurados, que podem ser adaptados aos casos concretos. A inteligência artificial ganhou destaque, sobretudo no que concerne às facilidades em um software jurídico. O tempo gasto com cadastro de tarefas, hoje, é reduzido por meio da sugestão automática possível pelo emprego da inteligência artificial. A consulta às intimações é otimizada com o uso de robôs que realizam a captura.

E se os advogados famosos eram conhecidos, em sua maioria, por uma irreverência, é difícil imaginar que eles não adotariam essas facilidades, ainda que causassem receio em uma camada mais conservadora da advocacia. O principal diferencial dos homens e mulheres que marcaram a carreira jurídica está justamente em estar, muitas vezes, na vanguarda, conduzindo movimentos de inovação. Portanto, os advogados famosos dos dias atuais certamente estarão na dianteira do movimento de introdução da tecnologia no Direito.

Gestão de escritório de advocacia e como a tecnologia auxilia a carreira jurídica

Talvez o maior impacto da tecnologia na advocacia esteja na gestão de escritório de advocacia. Claro, ela também trouxe muitas consequências para o direito material e para o direito processual. Novas áreas do Direito surgiram em decorrência disso, como o Direito Digital. No entanto, quando se trata de facilidades na advocacia, é na gestão que se percebem as maiores mudanças. E é, principalmente, aí, que os advogados podem perceber uma vantagem para serem os próximos advogados famosos da história.

Voltando ao comentário no post do Pontes de Miranda, a reclamação da falta de tempo é comum na advocacia. Os profissionais, de modo geral, lidam com um número alto de processos. E todos são atravessados pelos prazos processuais. Além disso, precisam lidar com questões administrativas dos escritórios, tarefas para as quais, muitas vezes, não foram preparados. Afinal, não se ensina esse tipo de matéria nas faculdades de Direito.

Quando esse processo, contudo, é facilitado, tudo passa a fluir melhor. Se há um software seguro para capturar intimações, o advogado pode utilizar o tempo antes gastos em busca de cada Diário Oficial de Justiça para pesquisar mais sobre Direito. Assim, pode ter tempo para se dedicar a um mestrado em Direito, desenvolver teses inovadoras ou mesmo encontrar soluções para os problemas com que lida. Assim, escrever 60 volumes parece um pouco menos difícil, ainda que se admita que continua a ser um número alto de produção.

Os advogados famosos da História do Direito usariam um software jurídico?

Então, será que os advogados famosos usariam um software jurídico? Infelizmente, não é possível transportá-los no tempo para ter a resposta a essa pergunta. Mas a probabilidade de que utilizassem é bastante grande. Os advogados famosos não abdicaram de sua carreira para fazer história no Direito. E sempre apostaram no novo. Dificilmente devem ter resistido à ideia de usar máquinas de escrever porque escrever à mão era a tradição.

Como os advogados contemporâneos podem se dedicar à irreverência se estão presos a tarefas manuais para os quais não foram preparados para fazer? Os juristas aprendem leis, aprendem aplicação de normas, e a maior parte daqueles que seguem adiante na carreira jurídica desejam fazer isso ao invés de gastar horas do seu dia verificando sites de tribunais para ver a movimentação dos seus processos.

Portanto, utilizar ferramentas como um software jurídico garante mais tempo para tarefas menos mecânicas. Assim, pode-se focar em levar o trabalho a quem precisa dele, consolidando o nome no mercado e garantindo mais clientes. Pode-se focar em um processo difícil. Pode-se até aceitar mais processos.

Enquanto os profissionais não aceitarem que a tecnologia veio não para tornar o Direito mecânico, mas para tornar a prática jurídica menos mecânica e mais adequada às complexidades exigidas, será difícil encontrar novos advogados famosos na atualidade. A tecnologia jurídica não veio para tirar o trabalho dos advogados, mas para auxiliá-los a produzir melhor. E você pode ser a vanguarda desse movimento.

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