Fórum Econômico Mundial: quais foram as contribuições do Brasil?

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Na última semana (de 23 a 26 de janeiro) aconteceu, em Davos (Suíça), a 48ª edição do Fórum Econômico Mundial. O tradicional Fórum reúne, anualmente, chefes de Estado e de Governo, líderes empresariais e de setores organizados da sociedade mundial para debaterem e procurarem soluções para os problemas sociais e econômicos em todas as suas vertentes. A participação do Brasil, que passou três anos sem ir ao Fórum Econômico Mundial, foi focada em transmitir ao mundo uma visão interna de aspectos econômicos e políticos que, na visão do governo, são importantes para “vender” a imagem de um Brasil estável, saudável e com ambiente propício para negócios.

O discurso do presidente Michel Temer, como afirmado pelo próprio, girou em torno de “cinco palavras que ajudam a sintetizar” o que ele tem chamado de novo Brasil e a agenda de controvertidas reformas: responsabilidade, diálogo, eficiência, racionalidade e abertura. Pouco se falou de política e, muito menos, sobre desenvolvimento sustentável, foco crescente da preocupação global em garantir as próximas gerações.

O Fórum Econômico Mundial de Davos, historicamente, tem buscado intermediar, conectar e convergir governos e entidades da sociedade civil sobre a necessidade de um compromisso formal, verdadeiro pacto mundial, com o desenvolvimento sustentável, por meio da implementação de políticas públicas eficazes por parte do setor público e o estímulo à inovação no setor privado. Essa fórmula encaixa como uma luva na ideia integracionista que Davos transmite ao mundo.

fórum econômico mundial

É fato que o Brasil tem pouco a oferecer no que tange a exportação de novas ideias e seus produtos para um desenvolvimento que respeite o meio ambiente e as pessoas. Pelo contrário, nesse tema temos vocação importadora, e é essa realidade que o nosso país precisa mudar.

Na semana anterior à Davos, o Brasil teve sua nota de crédito rebaixada pela agência internacional de riscos Standard&Poor`s (S&P), colocando-nos à margem do grau de investimento. Em seu comunicado à Imprensa, a S&P afirmou que embora haja estabilidade na política externa e monetária, há uma significativa “fraqueza fiscal” do país, colocando a culpa na falta de efetividade do governo para formular e implantar políticas. Afirmou ainda, categoricamente, que tal situação se deve ao “enfraquecimento da eficácia da classe política brasileira”.

A Agência Lupa, da Revista Piauí, que se propõe a checar a veracidade de informações que rondam nossos noticiários, analisou a entrevista que o presidente Temer concedeu em Davos, onde, entre outros assuntos, disse que o governo tem destinado atenção ao Ministério da Ciência e Tecnologia. No levantamento realizado pela Agência, o orçamento de 2018 comparado ao de 2017 encolheu 46,9% para investimentos e 21,25% no total. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também tiveram seus recursos para investimentos reduzidos em 80% e em 58,6%, respectivamente.

Nesse cenário, ficam as perguntas: como pensar desenvolvimento sustentável se o investimento em ciência e tecnologia tem diminuído ao longo do tempo e as políticas públicas não são suficientemente fortes? Como estimular o empreendedorismo e o estímulo à inovação e à modernização se falta compromisso da classe política com o país? Pouco adianta dizer que há um novo Brasil se a tarefa de casa mais básica não tem sido feita. É preciso tornar o Brasil digno dos brasileiros.

Contribuiu para o artigo Dr. Jocelino Antônio Laranjeiras Neto, advogado, professor, secretário na Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, juiz do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB Goiás, Diretor do Instituto Goiano de Direito do Trabalho (IGT) e Conselheiro da Associação Goiana dos Advogados Trabalhistas (AGRATA).

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1 comentário


  1. Oi, Luciana! Excelente texto. Dá para perceber que você pesquisou e entende muito do assunto. Infelizmente, nosso país tem deixado muito a desejar no quesito sustentabilidade… uma pena porque esse é um dos “diferenciais” mais importantes que temos. Espero que quando a economia retome o crescimento, os investimentos em sustentabilidade cresçam. Obrigada por compartilhar o seu conhecimento e parabéns! Abs

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