Escritórios de Advocacia – Descomplicando o conflito de gerações

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O conflito de gerações, que durante muito tempo foi analisado por especialistas dentro dos lares, chega aos escritórios de advocacia. Entenda como diferentes gerações de advogados podem conviver e trazer benefícios para seu escritório.

Falar sobre diferentes gerações que coabitam no ambiente de trabalho virou moda no universo da gestão empresarial. Durante algum tempo os escritórios de advocacia ficaram alheios aos problemas que esta convivência, muitas vezes nada pacífica, poderia proporcionar. No entanto, ela também tem um lado positivo. Pelo menos é o que dizem os especialistas no assunto.

Definir gerações não é uma tarefa fácil. Tradicionalmente, cada geração é formada pelos nascidos em um determinado período de tempo (geralmente um quarto de século, 25 anos). Porém, nos últimos anos, com a rápida evolução da tecnologia e os impactos que ela causou no estilo de vida das pessoas, este intervalo de tempo tem ficado cada vez menor. Quando se começou a estudar o conflito de gerações no ambiente corporativo, se discutia os atritos entre os chamados Baby Boomers e a Geração X. Para a geração Baby Boomer, formada pelos nascidos nas décadas de 40 e 50, após a segundagrande guerra (maioria no mercado nos anos 60 e 70), conseguir um emprego era garantir o sustento da família, o que naquela época significava status e prestígio social.

Eles buscavam a estabilidade das grandes companhias, representada através de sua organização e hierarquia, nos moldes do exército. Para aquela geração, fazia todo o sentido “vestir a camisa da empresa”. Para eles, a experiência, advinda com o tempo, garantiria sua ascensão profissional. Eles trabalhavam duro, durante toda a vida, geralmente em uma única carreira, esperando pela recompensa que viria com a aposentadoria.

Geração X e Y, evoluindo com a tecnologia

A Geração X, por sua vez, é formada pelos nascidos em meados dos anos 60 e nos anos 70 (e que dominaram o mercado nos anos 80 e 90). Diferente da geração anterior, eram extremante individualistas e competitivos, o que os impelia a buscar uma rápida ascensão profissional, pois acreditavam que a meritocracia e não a experiência os levariam ao topo da organização. Buscando “se destacar no meio da multidão”, dependiam de uma sólida formação acadêmica para impulsionar suas carreiras. A aparência traduzida em um belo cartões de visita e uma sala com seu nome na porta eram símbolos de status muito apreciados. Outra característica desta geração era a extensão do espaço de trabalho para o horário de lazer, caracterizada pela criação dos termos happy hour (encontros depois do trabalho para tratar negócios e fazer contatos) e workaholic (viciado em trabalho).

Já a Geração Y, que é composta pelos nascidos na década de 80, que chegaram ao mercado nos anos 2000. Esta geração apresenta características como a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo e um desejo permanente por experimentar coisas novas, o que resulta em um desejo por rápida ascensão profissional, caracterizada pela promoção em pequenos períodos de tempo de maneira contínua. Diferente da Geração X, busca inovação e movimento constantes. Inclusive mudando de emprego e até mesmo de carreira várias vezes, o que tem gerado um grande número de cisões nos escritórios de advocacia tradicionais, dando origem a novas sociedades, formadas quase que exclusivamente por profissionais na casa dos 30 anos, como é o caso da Perlman Vidigal, o PMKA e o Vella, Pugliese, Buosi e Guidoni, todos da cidade de São Paulo.



Geração Z e os nativos digitais

Os nascidos em meados dos anos 90 formam a Geração Z, que está chegando agora ao mercado de trabalho. Para esta nova geração de profissionais, trabalho se mistura com lazer, e o sucesso é representado pelo prazer obtido naquilo que se faz. Esta característica tem mudado inclusive a cara de alguns escritórios de advocacia que incorporaram a sua arquitetura as chamadas salas de descompressão, onde é possível assistir a um jogo de futebol ou jogar uma partida de vídeo game durante o horário de trabalho, no melhor estilo Google, como é o caso do Aidar SBZ. Outra característica desta geração é avaliar as empresas por seus valores e buscar um propósito em tudo o que fazem, inclusive em seus empregos.

Isto se reflete na nova “economia criativa” e no boom do empreendedorismo, pois sua principal característica profissional é a capacidade de reconhecer novas oportunidades e a coragem para apostar nelas. São ansiosos por trabalhar com outras gerações, porém, em uma relação de igualdade e não de subordinação. Além disso, precisam de feedback constante e imediato (nos moldes das redes sociais) para sentir que estão no caminho certo, mas ao mesmo tempo apreciam a autonomia para fazer as coisas do seu jeito. Por fim, possuem um perfil investigativo, buscando informações por conta própria, o que reduz sua dependência das fontes de conhecimento tradicionais.  Mobilidade, espaços compartilhados, home office e horário flexível são conceitos característicos desta geração. Aliás, flexibilidade é “o conceito” desta geração.

Mas o que essa sopa de letrinhas tem a ver com o desempenho e a gestão de escritórios de advocacia?

Como afirmamos no início, ao mesmo tempo que este conflito de gerações pode ser prejudicial para a organização (pois cada geração possui características muito distintas), conhecer o perfil e a forma de enxergar o mundo de cada uma delas pode ajudar o líder a extrair o que de melhor cada geração pode oferecer.

Assim, escritórios de advocacia que possuem profissionais da Geração Z podem encarregá-los de tarefas como estruturar novos departamentos, como por exemplo, a área de Compliance, dedicada à boa governança corporativa e ao combate à corrupção, ou de Trading Market, especializada nas complexas e detalhadas regras de comércio exterior. Por outro lado, toda a criatividade das gerações mais jovens, se não ordenados e focados podem gerar perda de produtividade nos escritórios de advocacia. Cabendo aos profissionais das gerações mais antigas a orientação dos mais jovens.

escritórios de advocacia

Outro fato que chama a atenção é a contratação de jovens advogados para modernizar os escritórios de advocacia tradicionais. Esses profissionais podem conduzí-los em direção às novas tecnologias. As novas gerações são muito ligadas em tecnologia da informação e uma boa infraestrutura de TI, além de um bom software jurídico, é condição fundamental para a produtividade, efetividade e qualidade dos serviços prestados pelos escritórios de advocacia.

Resumindo, cada geração é singular, possui comportamentos e habilidades que as tornam melhor ou pior preparadas para lidar com as diversas situações que encontramos no ambiente de trabalho. Cabe ao líder, identificar estes perfis, compreender suas diferenças e decidir sobre a melhor maneira de utilizá-los. O resultado é uma coexistência pacífica e harmoniosa entre os colaboradores dos escritórios de advocacia.

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