7 filmes sobre Direito que todo advogado deve assistir

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Não são apenas os seriados jurídicos que merecem ganhar espaço na sua programação do fim de semana. Há muito filme interessante no repertório da sétima arte que também narra histórias reais sobre o envolvimento e o trabalho do advogado e mostram lados nunca antes abordados da carreira.

Este post, então, vai trazer 7 sugestões que, a meu ver, não podem faltar para quem é  advogado. Além disso, para cada filme, pontuo quais lições podemos aprender.  E prometo: não darei spoiler, nem serei clichê.

Afinal, todo mundo já está careca de saber que Suites é Suites, não é mesmo!?

1. As duas faces de um crime: o advogado que adora aparecer

Trata-se de um suspense. O super charmoso Richard Gere interpreta um advogado rico e bem sucedido que adora se manter nos holofotes da mídia. Assim, logo que o arcebispo de Chicago é encontrado morto, ele vê uma chance imperdível de aparecer nas manchetes novamente. Então, aceita representar, sem cobrar honorários, o principal suspeito do crime, o coroinha Aaron Stampler. E assim começa o filme que vai te prender do começo ao fim. Vale muito a pena assistir.

Como você irá perceber, o advogado do filme tem perfil arrogante e narcisista. Diz ele em certo momento, por exemplo:



Eu falo. Você, não. Tudo o que tem a fazer é ficar sentado e parecer inocente.

A lição que podemos aprender aqui diz respeito ao que eu sempre chamo atenção: saber ouvir o cliente. Isso é fator determinante para criar uma boa relação e também garantir produtividade para o advogado. Todo cliente que chega até nós chega com medo. Cada um traz uma história diferente.

Portanto, saber ouvir com atenção o que ele tem a dizer não é apenas se manter com a boca fechada. É, sim, ter a capacidade de livrar-se de todo preconceito e ter a sensibilidade para se colocar no lugar daquele que está falando.

2. Kramer vs. Kramer: lições sobre o Direito de Família

É um filme dos anos 70. Para quem gosta de direito de família ou pretende trabalhar nessa área, é uma produção e tanto.

Esse drama conta a história de um executivo que valoriza mais o trabalho do que a família, até que sua mulher decide se divorciar. Com a responsabilidade de cuidar sozinho do filho pequeno, o pai acaba finalmente formando laços com ele. No entanto, quando retorna, a mãe exige de volta a guarda integral da criança. Assim, começa uma longa e difícil batalha jurídica pela custódia de Billy, em que os pontos de vista do pai e da mãe serão valorizados e confrontados. Um grande clássico, vencedor de cinco Oscars (incluindo prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor e de Ator e Atriz Coadjuvante para Dustin Hoffman e Meryl Streep). 

Esse filme deixa evidente a transformação da figura da família na sociedade. Além disso, também faz refletir sobre a evolução do Direito sob esse mesmo aspecto, já que se tornou comum encontrar mulheres assumindo posições antes exclusivas aos homens. Com isso, acontece uma importantíssima alteração dentro do âmago social e naquela que é, entre outras coisas, sua célula principal: a família.

Uma produção como essa é crucial para a conscientização das massas, no que concerne, especialmente, a sociedade no fim dos anos 70. Kramer vs. Kramer consegue até hoje dialogar com o espectador sobre essas mudanças, mostrando como elas se estabilizaram no retrato familiar.

Vale a reflexão.

advogado

3. Doze homens e uma sentença: um filme sobre Direito sem advogado

Já foram feitos dois filmes desse: o original e uma refilmagem. Um é da década de 50 e outro de 1997. O mais interessante é que se trata de um filme sobre Direito, mas sem advogado.

São, basicamente,  12 jurados que devem decidir, por unanimidade, se mandam ou não um jovem para a cadeira elétrica por ter matado o pai. Todos eles estão propensos a decidir de forma rápida e indolor para que possam voltar a suas atividades. No entanto, o jurado nº 8, por exemplo, vota de forma diferente da maioria para iniciar um exercício de dialética. Um debate muito rico de ideias que que fazem pensar. O filme envolve e é uma delícia!

Assim, o que vemos no decorrer desse longa é a representação genuína do discurso dialético. Os jurados possuem diferentes pontos de vista e cada um pretende estabelecer a sua verdade por meio de argumentos fundamentados e não para simplesmente vencer o debate ou persuadir o opositor.

4. Erin Brockovich: a advogada determinada que não desiste do caso

Amo esse filme! Baseado em uma história real, a história contra o esforço de uma mulher americana chamada Erin Brockovich (vivida pela Julia Roberts), que, depois de perder um processo na justiça contra um médico que bateu em seu carro, acaba indo trabalhar com o advogado que a representou.

No escritório, ela encontra fichas médicas arquivadas na pasta referente a um litígio imobiliário e, curiosa, passa a investigar o caso. Então, aos poucos, ela descobre uma surpreendente conspiração comandada por uma poderosa companhia para ocultar a contaminação de um lençol d’água que abastecia uma pequena comunidade americana e que vinha deixando os moradores doentes.

Trata-se, portanto, de uma grande lição de empatia. E, dentre as habilidades socioemocionais, acredito que a empatia se destaca como competência fundamental para o convívio social e não só como ferramenta importante para a profissão de um advogado. Até já usamos um trecho do filme para tratar desse tema aqui no escritório.

5. Um sonho de liberdade: lições de tempo e trabalho

Um sonho de liberdade conta a história de Andy Dufresne que passa de um bem sucedido banqueiro a presidiário. Isso acontece a partir do momento que Andy é acusado do homicídio da esposa e do seu amante. O fato, no entanto, é que ele é inocente. E mesmo inocente é condenado à prisão perpétua. 

Certamente, o principal encantamento do filme é evidenciar que, na vida, o sucesso depende unicamente de pressão (trabalho) e tempo. Sobre isso, Red, o personagem que Andy conhece na prisão, diz em determinado momento, enquanto narra a história do filme:

Geologia é estudo da pressão e do tempo. E na verdade, isso é tudo o que precisamos: pressão e tempo. (…) O hobby de Andy era talhar a sua parede e espalhá-la pelo pátio, um punhado de cada vez. Não se foge de um presídio da noite pro dia, sem um plano elaborado e trabalhado por anos. Não há saída fácil. O trabalho foi árduo, discreto, silencioso. Características tão esquecidas no mundo atual, mas fundamentais para atingir o sucesso.

6. Carandiru: a cruel realidade do sistema penitenciário brasileiro

Carandiru é um filme brasileiro e que alcançou enorme sucesso ao retratar a rotina real de um dos maiores presídios da América Latina. A história é baseada no olhar do médico Drauzio Varella, que trabalhou como voluntário no local e, com isso, teve a oportunidade de interagir com vários encarcerados até o episódio que ficou conhecido como o massacre do Carandiru, em 1992.

Diversos são os princípios constitucionais inerentes à personalidade humana trabalhados e discutidos no filme. A necessidade de se garantir uma vida digna a qualquer cidadão, incluindo o preso, é um dos casos, por exemplo.

No entanto, o longa também deixa claro as dificuldades e os entraves que existem no dia a dia para que essas garantias constitucionais sejam atendidas. Assim, Carandiru é um ótimo banho de realidade àqueles que não atuam na área criminal e uma oportunidade para que eles conheçam a triste situação da sistemática prisional brasileira.

7. Legalmente loira: uma lição sobre o advogado sem esteriótipo

Eu adoro esse filme por tudo que ele, de fato, representa. É um filme de 2001, que resumidamente, conta a história de uma mulher extremamente feminina, que adora moda e o cor de rosa, é super vaidosa, e que entra na faculdade de Direito de Harvard para impressionar o namorado que só a tratava mal.

Ao longo dos anos como estudante, no entanto, ela é obrigada a enfrentar preconceitos e até o assédio do seu mentor, por exemplo. Mas, em determinado momento, percebe que o namorado era um idiota e passa a se dedicar incrivelmente aos estudos, quebrando paradigmas e se mostrando uma advogada brilhante, por ser exatamente o que ela é. De forma muito leve, é um filme que mesmo agora – quase 20 anos depois – segue reafirmando, de um modo bem claro e simples, que as outras mulheres não são inimigas. Além disso, mostra também que não há nada de inferior em ser mulher, nem nada de errado em ser convencionalmente feminina. Aliás, isso não faz uma mulher ser menos séria, inteligente ou capaz, por exemplo.

E, por fim, a lição que fica é: somos mais do que os outros dizem que somos. E, certamente, muito mais do que as aparências deixam ver.

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