Gestão de equipes na advocacia e aspectos da liderança contemporânea

Gestão de equipes é um conjunto de ferramentas e e metodologias que a liderança utiliza para engajar colaboradores de uma organização, garantir o seu bem-estar e orquestrar os trabalhos.

Tenha um escritório com pessoas que trabalham unidas em torno de propósito comum

Pensar o escritório de advocacia vai muito além de não perder prazo. Hoje muitos escritórios já estão investindo em gestão específica para o negócio jurídico e em gestão de equipes.

Dessa forma, é sim verdade que o escritório deve ser pensado como uma empresa e gerido como tal. É muito importante para a organização do escritório que o pensamento esteja se encaminhando para esse modelo. Tem-se muito a ganhar com a otimização do trabalho, mas também com as pessoas.

Por isso, neste artigo, vou explorar alguns benefícios que a gestão de equipes traz para os escritórios de advocacia.

Tenha ferramentas e propósito

Ao falar em gestão de equipes e do negócio jurídico, abrimos um leque de opções de modelos e ferramentas norteadores. Mas não basta procurar na internet pelo tema e sair aplicando. Há que se definir os objetivos e propósitos do escritório para que as técnicas sejam empregadas de forma a atingir os objetivos desejados.

Os objetivos do escritório deve estar bem configurado, pelo menos para os sócios. Através deles que as pessoas e ferramentas serão empregadas com a finalidade de maximizar os resultados e a eficiência.

Aliás, esse resultado que deve ser mais amplo do que simplesmente ganhar dinheiro. A monetização é apenas um aspecto dentro do resultado do serviço prestado que tem o cliente como foco.



Veja o todo a partir do propósito: gestão de equipes, de ferramentas e de operações

Então, diversas são as ramificações do escritório que deverão ser pensadas dentro de uma visão macro de empresa: cultura organizacional, valores, estratégias, desenvolvimento de um mercado, relacionamento com o cliente, responsabilidade socioambiental, além da capacitação profissional, desenvolvimento e qualidade de vida dos colaboradores. Tudo isso são sustentáculo de resultados que serão alastrados por todos os setores conectados, como uma engrenagem.

Vejam que é mais extensa e abrangente essa visão do que fazer uma peça inicial, uma defesa, obter um resultado do juiz e receber os honorários. Temos uma cadeia de relações para considerar em gestão de equipes, ferramentas e operações. É imbricadas umas nas outras que elas culminam no resultado para o cliente, para os colaboradores, para os sócios.

gestão de equipes

O equilíbrio custa, mas o desequilíbrio é ainda mais caro

Quando a gestão de equipes, ferramentas e operações olha para o resultado, deve analisar precisamente essa harmonia entre as cadeias de relações. O desequilíbrio em uma delas afeta o resultado – talvez não aos olhos do cliente, da sociedade, mas internamente o desequilíbrio se torna claro, prejudica o desenvolvimento. As engrenagens não se conectam da forma com a qual deveriam.

Os colaboradores, sejam advogados (contratados, parceiros, associados, sócios, etc.), secretárias, recepcionistas, auxiliares jurídicos, estagiários, copeiras, jardineiros e TI interno, dentre tantos outros profissionais que podem compor o escritório, são sua força motriz.

O cuidado em manter uma equipe completa e engajada com o propósito geral do escritório deve ser falado, repetido a todo momento. Pois a cada vez para pessoa que ouve será diferente.

Nesse ponto, entra o líder, sócio e gestor com o papel de fazer o colaborador se encantar pelo propósito geral. É nestas pessoas que concentra a fonte primária da inspiração e que sustentará a corrente do engajamento que deverá unir todos os departamentos em busca do resultado desejado para a equipe e para o escritório.

Escritório de advocacia afinado a pessoas

Todavia, não acredito que apenas o colaborador atento ao propósito seja o suficiente em gestão de equipes. O seu propósito pessoal também se conecta ao do escritório.

Por algum tempo, ele pode dissimular sua conexão, mas não será por muito. Logo será o ponto de desequilíbrio, pois simular conexão requer um gasto de energia intenso, impossível de manter.

Assim, é importante a pessoa se conhecer. Isso não é fácil, muitas vezes tem algo incomodando, mas não sabemos o que é. Se investigar o motivo por vezes camuflado, acharemos o ponto de desencontro de valores, propósitos ou simplesmente com a atividade que nos foi delegada.

Voltaremos em breve a falar da ligação com a atividade desenvolvida, porque antes precisamos perceber que estamos na teia de relações complexa que se trata da relação humana.

Gestão de equipes começa na contratação

O dilema da gestão de equipes começa na contratação. Afinal, até um pequeno escritório precisará contratar um advogado auxiliar ou criar uma rede de parceria. Para muitos é impossível contratar uma empresa especializada em seleção que buscará o candidato perfeito dentro das características do negócio. Ainda assim, muitas vezes ocorrem enganos. De fato, a contratação vai depender, além da boa entrevista, do feeling do entrevistador.

Então, retornamos para o elo entre nossos desejos e nossas habilidades. Na equipe jurídica, isso se traduz na habilidade adquirida ao se formar e receber a carteira da ordem. Após, todos se tornam habilitados a praticar os atos inerentes à advocacia. Essas habilidades, uma vez aperfeiçoadas, configuram a competência para fazer bem o que nos propomos. Mas apenas desenvolvemos essa competência de forma a obter resultados positivos para aquilo que estamos conectados.

Ainda é muito forte em alguns advogados o pensamento de que advogado bom é aquele que faz audiência, fecha grandes contratos, peticiona, etc. Mas é aqui que nos deixamos levar por crenças que não devem mais se perpetuar. Existem excelentes advogados que não gostam de atender clientes, mas peticionam magnificamente. Conseguem captar a essência da situação e buscam as melhores referências para a ação. Da mesma forma que um outro advogado pode ser mais generalista nas peças, mas sua atuação em uma audiência ser imbatível perante os demais membros da equipe. São essas habilidades e competências desenvolvidas para as quais um gestor deve estar atento na equipe.

Lógico que não teremos na maioria das vezes uma equipe grande que permita tais distinções, mas perceber na sua equipe essas competências torna o trabalho mais dinâmico e prazeroso para o colaborador com consequente reflexo no resultado esperado.

Entre o profissional experiente e o que está em formação

Uma outra situação que se enfrenta em gestão de equipes é a dualidade entre buscar alguém no mercado com experiência ou formar o profissional que idealiza.

Com isso, pesar os vícios que o profissional experiente traz consigo e, do outro lado, ter a paciência de aplicar a lei do aprendizado descrita por John Wooden como aquela que “requer tempo e paciência para se dedicar a explicar, demonstrar, corrigir e repetir”.

As duas situações encontram sustentação, depende apenas dos objetivos e necessidades momentâneas do escritório.

Veja que estar vigilante a todo instante para tantas questões e antenado a tantas seções do escritório também conecta o trabalho do gestor com o aspecto mais difícil para alguns: o trabalho solitário e que nem todos estão preparados a lidar, já que existe uma linha tênue e que Wooden (op cit) chama de manter o ambiente “disciplinado” entre “ser flexível e firme”.

Invariavelmente existirá resistência, mas o propósito da equipe, do escritório, deve ser colocado à frente de desejos pessoais de um ou outro. O líder deverá entender como natural e não pessoal, mas deverá se posicionar. Muitas vezes a resistência se manifesta pelo apego e, portanto, o colaborador deve estar disposto a conhecer uma forma nova de fazer o que sempre fez, buscando melhores resultados. Deve estar aberto para novos sentidos.

Mesmo o melhor dos líderes não será suficiente para engajar um colaborador que não está acessível a contribuir e pensar o todo.

Liderança com amor

John Wooden ainda nos fala que é necessário o tratamento com amor aos seus liderados, preocupando-se verdadeiramente com o bem-estar de cada um da equipe. Mas completa:

Não vou gostar de vocês sempre igualmente, mas vou amá-los sempre igualmente. E se eu gostar ou não, os meus sentimentos não irão interferir no meu julgamento do esforço e do desempenho. Vocês serão tratados com imparcialidade. Isso é uma promessa.

Saber lidar com as diferenças entre cada um na equipe aplicando as mesmas regras de conduta, ser flexível naquilo que não interferirá para causar a desordem, a ira entre os integrantes da equipe, a discórdia e as conversas sobre privilégios é essencial para manter a coesão e harmonia.

Corrobora para isso o que diz Pascale e Athos:

A capacidade de concorrer repousa em nossa capacidade de organizar seres humanos de modo a gerar oportunidades e resultados, e não impasses, estagnações, burocracias e atrito dissipador.

O pior que pode acontecer na gestão de equipes são os sentimentos de injustiça pelo tratamento desigual, o que leva a busca constante de ações que unam os propósitos da pessoa e da empresa.

Advocacia e tecnologia

Esse é um movimento contrário ao que aconteceu durante os avanços tecnológicos desde a revolução industrial que promoveu uma desconexão com a essência do que buscamos, pois percorremos um caminho do individualismo insaciável do ter, sem pensar que o resultado do nosso trabalho também é a busca da satisfação do outro – o cliente a quem atendemos, o colega a quem ajudamos.

Gostamos sim de ganhar dinheiro e não existe demérito nisso, mas não podemos deixar que seja o único objetivo. A ele aliamos a satisfação de ver o resultado do nosso esforço, da nossa paixão, nosso trabalho refletido no cliente, é tão importante quanto o valor pago.

Assim, preocupar-se com o outro – o colaborador – permitirá que o advogado desenvolva talentos, tenha tempo para desenvolver novos mercados, obtenha a satisfação do cliente e financeira para o escritório, retroalimentando o bem estar geral.

Desta forma, dentre os vários aspectos que envolve a atividade do advogado a equipe é um dos elementos dessa trama complexa e sistêmica em que a gestão tem muito a contribuir.

Escrito por:

Theandra Drago, advogada, sócia do escritório Theandra Drago Maximização de Performance Jurídica. Palestrante do IEAD – Instituto de Estudos Avançados de Direito. MBA em Planejamento e Gestão de Escritório de Advocacia. Contato – theandra@theandradrago.com.br. Está no Instagram como @theandra.drago e no Facebook como Theandra Fernandes Drago.

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