[Ebook Gratuito] 5 erros comuns em gestão de escritório de advocacia

Tempo de leitura: 13 minutos

O número das empresas que decretaram falência aumentou 300% entre 2014 e 2015. O dado é da pesquisa realizada pela Neoway Business Solutions, que mostrou que cerca de 1,8 milhões de empresas fecharam no ano passado. Essa estatística não abrange apenas as PMEs (Pequenas e Médias Empresas), mas também as grandes corporações e os microempreendedores individuais. O número foi apurado por meio do cruzamento de dados reais extraídos das juntas comerciais e de informações disponibilizadas no site da Receita Federal. Outro estudo, produzido pelo Sebrae, mostrou que as principais dificuldades das empresas em se estabelecer nos primeiros anos são: ausência de planejamento estratégico, desconhecimento das estratégias para gestão de escritório de advocacia e dificuldade em se adaptar às necessidades do mercado.

Mas será que essa realidade pode ser projetada nos escritórios de advocacia? Quais são as variáveis que mais afetam as bancas e impedem o seu crescimento? Será que são as mesmas das empresas apontadas nas pesquisas acima, como falta de planejamento, problemas com clientes, gestão de escritório de advocacia e olhar pouco inovador? Quais são os principais problemas enfrentados pelos advogados empreendedores?

O estudo mostra ainda que houve um salto nos vários ramos do direito: em 1990, existiam apenas 10 áreas especializadas e, em 2016, esse número subiu para 49. Apesar de toda essa competitividade, o mercado jurídico brasileiro movimentou cerca de R$ 3 bilhões apenas em 2010. No ano seguinte, as cifras chegaram a US$ 15 bilhões somente para as transações nas consultorias em Direito Internacional. Os dados são do relatório da Fenalaw – Exposição e Congresso para o Mercado Jurídico, um dos maiores eventos da área na América Latina -, que aponta ainda crescimento para as áreas de direito imobiliário, previdenciário, agronegócio, propriedade intelectual, entre outros.

Quem pretende investir no próprio escritório deve se preocupar com a rentabilidade, a prospecção, a fidelização de clientes na advocacia e o planejamento estratégico para tornar a banca competitiva no mercado. Nesse post, você vai conhecer alguns erros cometidos por advogados empreendedores na gestão de escritório de advocacia  e o que pode ser feito para solucioná-los. Continue a leitura e confira!

Erros cometidos por advogados empreendedores na gestão de escritório de advocacia

No artigo “Principais erros de gestão cometidos por jovens advogados“, o advogado Thiago Schütz destaca que um equívoco bastante comum no início da carreira é não separar a conta da pessoa física da pessoa jurídica. Para ele, os ganhos dos escritórios de advocacia são muito variáveis e, se não existir essa separação, o profissional pode acabar gastando o recurso de um processo de uma única vez, antes mesmo de a tramitação ser concluída. Já o advogado Marcelo Santos, aponta que o profissional no início da carreira se preocupa mais em advogar e esquece que o escritório é também uma organização que precisa ser gerenciada. Assim, acaba cobrando os honorários com base nas horas de trabalho e não conta gastos como deslocamento, cópias e materiais de escritório.



Mas, há quem não tenha enfrentado problemas com a gestão financeira no início da carreira de advogado empreendedor. Marcus Vinicius Guimarães Sanches, o Guimarães Sanches Advogados, teve a oportunidade de estagiar em várias bancas, ainda durante a graduação, e começou a observar o que dava certo e o que não funcionava tão bem. Desta forma, conseguiu implantar as boas práticas na gestão de escritório de advocacia. “Sempre fui muito conservador com relação à gestão financeira na advocacia. Mesmo quando o faturamento era pequeno, sempre houve fluxo de caixa, provisões para pagar erros processuais, funcionários e outros custos fixos”, conta Sanches.

Ele ressalta ainda que ter um sócio é essencial para manter a saúde financeira do escritório. “Quando você não tem alguém dividindo o trabalho, é mais tentador não manter esse fluxo de caixa em escritórios de advocacia. Não é só o risco de misturar pessoa física com pessoa jurídica, mas também o de gastar mais porque teve um lucro grande naquele mês”. Além disso, Sanches destaca outro ponto importante para a gestão de escritório de advocacia: a fidelização dos talentos internos. “Os colaboradores precisam vir trabalhar felizes e, portanto, é essencial segurar os grandes talentos que passam pelo escritório. Afinal, você prepara o profissional para o mercado. Há gasto com treinamento e se ele for embora, esse gasto será necessário novamente para treinar quem vai substituí-lo”.

Sanches ainda elenca dois erros que podem ocorrer ao iniciar a carreira de advogado empreendedor: superestimar os resultados e não investir em planejamento estratégico. O primeiro é comum quando o advogado tem previsão de trabalhar com uma carteira de clientes maior e investe em espaço físico, pessoal e estrutura de TI, mas o negócio não acontece. “O escritório acaba se preparando para algo que não ocorreu e um gasto desnecessário poderia ter sido evitado se esperássemos as coisas acontecerem para depois investir”, argumenta o advogado. Já o segundo erro diz respeito a não olhar a banca como uma empresa. “É essencial investir em planejamento, saber onde se quer chegar, qual o porte de escritório que você imagina no futuro, investir em prospecção na advocacia e fidelização de clientes”.

As dicas que Marcus Vinicius Guimarães Sanches deixa para evitar esses erros são perseverança e atualização constante. “O advogado não pode passar o dia atrás do teclado, peticionando. É necessário saber o que está acontecendo no mercado da sua especialidade. É comum que ocorram erros e dificuldades no começo da carreira, mas fazendo provisões e sendo proativo, é possível resolver todos eles”, conclui.

5 erros comuns na gestão de escritório de advocacia e como resolvê-los

O advogado Marcus Vinícius Motter Borges, do Menezes e Niebuhr Advogados Associados, selecionou cinco erros cometidos por advogados e deu algumas dicas para resolvê-los. As observações foram feitas ao longo de seus 10 anos de carreira, principalmente em Direito Civil e Negócios Imobiliários. Borges é doutorando em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista em Direito Imobiliário pela UFSC.

1. Ansiedade por resultados

O advogado no início da carreira costuma ficar angustiado por resultados. Para Borges, após a formatura e a conquista da carteira da OAB, o advogado quer abrir o escritório, conquistar uma carteira de clientes e começar a ter uma remuneração considerável em pouco tempo. No entanto, ele lembra que consolidar o nome no mercado jurídico leva tempo:

“Acredito que para chegar nesse patamar é necessário pelo menos 10 anos. Nesse período, o profissional começa a desenvolver uma carteira de clientes, a ter uma expertise em uma determinada área e a criar um fluxo de atividades que facilite a rotina, ou seja, trabalhar menos por uma remuneração melhor”.

A dica que o advogado deixa para quem está nesta fase da gestão de escritório de advocacia é controlar a ansiedade:

“O advogado precisa estar ciente de que isso é uma fase e que se ele desenvolver um bom trabalho, vai chegar lá”.

2. Falta de nicho

A ausência de uma área de atuação é outro erro bastante comum. O correto seria o profissional escolher uma área de atuação para começar a se especializar ainda na faculdade ou logo que concluísse a graduação. Essa decisão deve ocorrer cedo e motivada por afinidade com determinada área ou porque o advogado encontrou um ramo do direito com boas oportunidades no mercado. No entanto, quando o profissional escolhe empreender e abrir o próprio escritório, acaba atendendo outras áreas para cobrir as contas fixas, prospectar clientes na advocacia e ter fluxo de caixa.

“O que acontece nesses casos é que o advogado até tem vontade de escolher um nicho para atuar, mas então aparece um processo trabalhista que pode render bons honorários. Em seguida, aparece uma ação criminalista com possibilidade de boa remuneração e o advogado também pega a causa. Então, a cada nova ação, ele se distancia cada vez mais de sua área de atuação”, explica Borges.

O conselho do advogado, que dedica 90% da sua advocacia ao mercado imobiliário, é de tentar buscar o equilíbrio entre as duas coisas: investir em um nicho e trabalhar em causas que trazem receita para o escritório. Ele lembra que quanto mais cedo o profissional descobrir qual especialidade do Direito quer atuar, maiores são as chances de prosperar naquela área. “Eu decidi minha área de atuação logo que me formei e estudei o mercado imobiliário por conta própria. Logo em seguida, abriu uma especialização na UFSC e tive a oportunidade de melhorar a qualificação técnica que me puxou para advogar neste ramo.”

3. Não investir em qualidade técnica

A rotina do advogado é muito corrida e, muitas vezes, o profissional pega várias ações, despende muito tempo na administração do escritório, na prospecção de clientes e acaba esquecendo de sua qualificação técnica. Para Borges, um grande erro é quando o profissional se concentra apenas no trabalho e esquece de  estudar. Ele ressalta ainda que o estudar aqui não se trata do tempo empregado para analisar uma causa específica, e sim do investimento no seu desenvolvimento acadêmico.

“O advogado tem que ter tempo para tocar o escritório, mas ao mesmo tempo precisa fazer um, dois ou três cursos de especialização. Eu acho muito importante que ele consiga investir nessa capacitação técnica”. Borges também sugere cursos de curta duração, palestras e seminários. Além disso, para os profissionais que têm vocação para pesquisa, mestrado ou doutorado também aumentam o conhecimento jurídico. “No início da carreira, é um erro muito comum o advogado ser absorvido pelas coisas do escritório e esquecer da sua capacitação técnica. Mas esse processo deve ser contínuo, o seu conhecimento como advogado é a sua bagagem. É isso que você possui”, conclui Borges.

4. Não tratar o escritório como se fosse uma empresa

Esse erro, segundo Borges, tem sido cada vez menos frequente com a chegada da nova geração de advogados ao mercado jurídico e atuação na gestão de escritório de advocacia. Para ele, por via de regra, o advogado não trata o escritório como uma empresa. E por não ter essa concepção de que o escritório é uma empresa, ele deixa de praticar atos e procedimentos internos que vão potencializar o negócio, como por exemplo, a criação de fluxos de trabalho, o investimento em softwares jurídicos, o gerenciamento de processos e a criação de um planejamento estratégico. “Quando o advogado não se vê como um empreendedor, ele acaba tendo mais trabalho e menos resultados”, explica.

A solução para esse erro é encarar o escritório como uma empresa quando a carteira de clientes ainda é pequena. “Eu já vi escritórios que deixaram para estruturar a banca como empresa apenas depois de estabelecida, o que torna mais onerosa a organização dos fluxos de trabalho”, conta Borges.

5. Dificuldade de precificação do trabalho

O texto sobre honorários advocatícios é um dos mais lidos do blog do SAJ ADV e não é por acaso. Segundo Borges, é complicado precificar a prestação de um serviço. O que ele observa no mercado é que “o advogado costuma perder trabalho porque coloca um preço muito alto ou acaba precificando com um valor baixo e trabalhando muito mais do que o esperado”. A solução para essa questão é a experiência, que se ganha com o tempo de exercício da profissão. “Ela é que vai guiar o profissional para a precificação correta, se a causa deve ter um preço maior ou menor.

E esse erro não é apenas de advogados iniciantes, mas também ocorre com os mais experientes”, avalia Borges. O segredo, segundo ele, é tentar estudar profundamente o caso antes de mandar uma proposta para o cliente.

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Conclusão

Erros e dificuldades no início da profissão sempre vão existir em qualquer carreira. O segredo é ter perseverança e tentar buscar o equilíbrio. Em pesquisas como as realizadas pelo Anuário de Advocacia, é comum aparecer nomes de escritórios consagrados e também das bancas que encolheram em um determinado período. O que eles têm feito para se manter no topo do ranking?

No post “Mercado de trabalho para advogados: tendências e desafios“, com Rodrigo Scatambulo de Lima, responsável pelos assuntos institucionais do Pinheiro Neto Advogados – primeiro colocado na última edição do Anuário de Advocacia. Para ele, o sucesso do escritório são as pessoas. “Temos um time de profissionais altamente capacitado, que atua em total sinergia e que não sacrifica a qualidade em favor da rentabilidade. Os clientes percebem isso”, argumenta Lima.

Olhar o escritório como uma empresa, investir na fidelização dos talentos internos, criar um planejamento estratégico, estabelecer onde se quer chegar, utilizar a tecnologia jurídica como aliada na gestão de escritório de advocacia. Todos esses pontos, citados neste material, tem sido explorados no blog do SAJ ADV, como nos artigos Como criar um plano de carreira para escritórios de advocacia, Gestão de escritório de advocacia – 7 fatores para o seu crescimento e 5 sinais de que seu escritório precisa de um software para advogados. Continue acompanhando as publicações e conheça as nossas dicas para deixar a administração do seu escritório mais eficaz.

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