Inteligência emocional é essencial na gestão de escritório de advocacia

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Até pouco tempo, era comum colocar a razão e a emoção em lados opostos na hora de tomar uma decisão. O senso comum dizia que se houvesse alguma influência emocional, certamente haveria perdas no raciocínio lógico e, por consequência, um resultado não tão assertivo. O mesmo poderia ser aplicado no âmbito jurídico e na gestão de escritório de advocacia, o que acabou por gerar uma associação natural da profissão com o conhecimento técnico, mas nem tanto com a construção de conexões emocionais. E se descobrirmos que as conexões emocionais podem ser melhor aproveitadas?

Há menos de 20 anos, o psicólogo Daniel Goleman publicou um dos artigos mais duradouros da Harvard Business Review, justamente por se tratar de um tema atemporal: “What Makes a Leader” (O que faz um Líder?). Nele, Goleman trouxe um termo que até então era pouco conhecido dentro do contexto de gestão: a “inteligência emocional“. O conceito é empregável em diversas esferas profissionais, inclusive na própria gestão de escritório de advocacia. No artigo, o psicólogo esclarece que os líderes eficazes possuem um ponto essencial em comum: o grau elevado de inteligência emocional. Embora não substitua o “quociente de inteligência” e as habilidades técnicas, é fundamental para que se construa uma grande liderança.

O que é a inteligência emocional?

Uma pessoa com inteligência emocional desenvolvida é aquela que consegue perceber uma emoção, seja sua ou de outro, compreender a causa e reagir para obter melhores resultados e aperfeiçoar relacionamentos. Goleman introduz ainda cinco componentes da inteligência emocional que fazem com que “os indivíduos possam reconhecer, conectar-se e aprender com os estados mentais próprios e de outros”. São eles:

  1. autoconsciência (reconhecimento das emoções);
  2. autocontrole (adequação e superação das emoções de acordo com o contexto);
  3. automotivação (uma paixão por algo que deve ser realizado e que vá além de status e dinheiro);
  4. empatia (colocar-se no lugar de outro);
  5. habilidades sociais (como criar e administrar relacionamentos).

Ainda que os componentes listados, num primeiro momento, possam parecer básicos, nem sempre estão presentes na gestão de escritório de advocacia. Mas, quando são adquiridos, são os responsáveis por resultados significativos para os advogados.

Por que a inteligência emocional é necessária na gestão de escritório de advocacia?

De acordo com a advogada Stacey Leeke, em “Four steps to boost your emotional intelligence” (Quatro passos para aumentar a sua Inteligência Emocional), um dos principais benefícios da inteligência emocional dentro da gestão de escritório de advocacia é adquirir ou aperfeiçoar a comunicação estratégica. Ou seja, gestores com inteligência emocional poderão perceber e compreender as emoções de colaboradores e, assim, construir uma resposta particular para cada situação. É essa habilidade que proporciona a confiança em um relacionamento, cria conexões e impede conflitos. Além disso, quando há a compreensão de uma emoção negativa e de como lidar com ela, evita-se o estresse. Há ainda uma maior satisfação com o próprio trabalho, o que resulta em ganhos na dinâmica do grupo, no pensamento crítico e criativo e na agilidade em resolver problemas.



A inteligência emocional na gestão de escritório de advocacia também traz benefícios para a capacidade de negociação e persuasão dos profissionais, pois auxilia na interação com os clientes. As competências emocionais permitem que os profissionais tenham maior empatia, discernimento e clareza das preocupações alheias nessas interações. Isso influencia tanto nas tomadas de decisões para os atuais clientes quanto no networking e prospecção de novos clientes.

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Como advogados podem melhorar as competências emocionais

Se antes era importante diferenciar razão e emoção, como será possível mudar esse padrão? Mesmo que a gestão de escritório de advocacia seja alicerçada em conceitos mais tradicionais hoje em dia, não há nada que impeça os advogados de treinar e aperfeiçoar as competências emocionais, elevando o nível de inteligência emocional da banca. No artigo “Emotional Intelligence Provides an Edge”, (Inteligência Emocional proporciona uma vantagem) a coach para advogados Irene Leonard sugere praticar os quatro passos iniciais de Goleman:

  1. Reconhecer as próprias emoções: o primeiro passo é aprender a reconhecer as próprias emoções num momento particular, investigar a causa e qual o impacto ocasionado. Procurar fazer essa reflexão em momentos onde houve muito estresse e/ou grande carga emocional.
  2. Gerenciar as emoções: o gerenciamento de emoções tem como objetivo evitar uma comunicação violenta e destrutiva. Ou seja, após reconhecer as emoções, é necessário compreender como e quando demonstrá-las.
  3. Perceber as emoções dos outros: mensagens importantes são passadas muitas vezes em silêncio. É preciso ler os sinais não-verbais e observar a linguagem corporal para obter uma compreensão maior das emoções do outro.
  4. Aprofundar as ligações: compreender como unir a consciência das emoções próprias e dos outros para obter uma melhor resposta, construir um relacionamento de confiança, fidelizar clientes e evitar conflitos.

Modificar as prioridades da gestão de escritório de advocacia pode não ser um trabalho simples e o exercício diário das competências por cada profissional pode precisar de ainda mais dedicação. Mesmo assim, os benefícios serão realmente compensadores tanto para a banca quanto para o advogado.

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