Principais erros de gestão cometidos por jovens advogados

Tempo de leitura: 7 minutos

Como contornos erros de gestão e ter sucesso como jovem advogado

A OAB do Distrito Federal e a OAB de Goiás costumam organizar eventos de networking para ajudar os jovens advogados a se posicionarem no mercado de trabalho. Já as seccionais do Acre, Rio Grande do Sul e São Paulo criaram comissões especiais para auxiliar na capacitação dos advogados iniciantes. O objetivo principal dessas ações é aproximar os novos profissionais da entidade. E assim, assessorá-los no começo da carreira.

Embora haja uma crescente preocupação da OAB em inserir o recém-formado nos escritórios de advocacia, uma reportagem do portal Exame.com mostrou que os jovens advogados querem mesmo é abrir o seu próprio escritório. Eles já pensam, então, em formatos de trabalho mais flexíveis e com possibilidades de crescimento mais rápido.

Recentemente, o blog do SAJ ADV publicou um eBook com dicas para os jovens advogados consolidarem sua carreira jurídica. O material educativo gratuito traz, então, orientações tanto para o profissional com perfil empreendedor que deseja abrir seu próprio escritório, quanto para aqueles que pretendem atuar em uma banca já consolidada.

gestão jovens advogados

No post de hoje, o advogado Thiago Schütz, do Schütz & Tavares Advogados Associados, e Marcelo Santos, do Santos e Silva Advogados Associados, apontaram os principais erros cometidos pelos jovens advogados.

1. Empreendedorismo jurídico

O advogado Marcelo Santos foi categórico ao afirmar que o principal erro cometido por jovens advogados refere-se ao empreendorismo jurídico. Isto porque muitos desses profissionais ainda não pensam no escritório de advocacia como uma empresa. Afinal, as próprias faculdades de Direito não incluem, no currículo, matérias sobre como gerir um negócio.



Para ele, então, o advogado iniciante costuma se preocupar apenas em advogar. E esquece, assim, que o escritório é também uma organização que precisa ser administrada. Precisa, portanto, de planos a cutor, médio e longo prazo. E deve ter estratégaias voltadas à persecuçãod esse planejamento.

Um exemplo desse comportamento diz respeito à cobrança dos honorários. É comum que o valor solicitado seja baseado apenas nas horas de trabalho. Dessa forma, gastos com deslocamentos, cópias e materiais de escritórios muitas vezes ficam de fora. E, no final das contas mensais, pode haver uma diferença considerável.

O advogado não aprende na universidade a cobrar o cliente. Existe a tabela de honorários da OAB, mas ela não mostra os gastos com os custos do processos e isso pode trazer prejuízo para o advogado.

Seguir a tabela de honorários da OAB é importante. No entanto, é preciso considerar que ela estabelece um teto. E que, assim, existem outros elementos que devem ser considerados na precificação dos honorários, como custos materiais, deslocamentos e, também, valores de mercado local.

2. Gestão financeira para jovens advogados

Já Thiago Schütz alerta os jovens advogados para que separem a gestão financeira do escritório das contas pessoais. Esse erro pode levar não apenas a uma confusão entre contas, mas também a prejuízos nas contas da profissão.

Os ganhos dos advogados são muito variáveis. Afinal, os processos tramitam por vários anos. Consequentemente, pode demorar a receber todos os honorários advocatícios. Desse modo, o profissional não pode gastar todo o recurso do processo de uma vez.

É necessário, antes de iniciar o negócio, ter um capital inicial. Assim, terá valores para custear a ação durante todo o seu tempo de tramitação. De igual modo, é preciso manter um controle do fluxo de caixa para que não ultrapasse as previsões periódicas de forma que comprometa o futuro do empreendimento.

O maior desafio dos jovens advogados hoje, portanto, é pensar como pessoa jurídica. Ou seja, gerenciar um escritório, contratar um contador, criar um fluxo de caixa, cuidar da carteira de clientes.

“É difícil até tratar isso como um erro, já que isso não foi ensinado na faculdade”, conclui Marcelo Santos.

3. Gestão de processos

Outro erro dos jovens advogados é não implemente uma boa gestão dos processos. Ter poucos casos sob sua responsabilidade não significa que é desnecessário manter uma rotina de organização. É preciso se habituar a mantê-los em ordem de modo que:

  1. evitam-se possíveis erros e atrasos em relação aos prazos processuais;
  2. garante-se a organização à medida em que o escritório ou a atividade do profissional cresce;
  3. contribui para a otimização da produtividade.

Manter documentos em nuvem, por exemplo, facilita não apenas a organização de uma grande carga de itens referentes a diferentes a diferentes clientes. Também assegura que papéis e elementos importantes não se percam, gerando prejuízos para o jovem advogado.

Controlar os processos através de planilhas ou de um software jurídico, por sua vez, contribui para o controle dos prazo processuais e, inclusive, para o controle financeiro abordado nos pontos anteriores.

4. Estratégias de relacionamento com clientes

Uma das grandes preocupações dos jovens advogados diz respeito à prospecção de clientes. Afinal, ter mais clientes pode não apenas representar um aumento nos lucros, mas também que o profissional está crescendo na carreira.

Todavia a preocupação não deve ser apenas a de conquistar mais clientes. Tampouco se deve ignorar os clientes já conquistados em busca de outros. Manter um bom relacionamento com os cliente do escritório é algo essencial na advocacia.

Em primeiro lugar, clientes felizes podem recomendar o escritório ou advogado individual a outros clientes. Quando alguém gosta do serviço, as chances de retornar a utilizá-lo e de indicá-lo a outros é maior.

Em segundo lugar, as chances de conseguir dialogar com ele e evitar, assim, o inadimplemento são maiores.

Para isso, pode ser interessante manter um controle de clientes. Mas também pode ser benéfico implantar um sistema de CRM no escritório de advocacia. Dessa forma, o processo será facilitado, integrando contato, diálogo e gestão em uma plataforma.

5. Como reduzir as dificuldades no começo da carreira

O advogado Marcelo Santos acredita que o profissional que não pesquisar sobre gestão de escritórios de advocacia levará cerca de 2 anos para perceber os erros e implementar as melhorias no orçamento, planejamento e cobrança de honorários.

Thiago Schütz também acredita que com o tempo os jovens advogados vão ganhando mais confiança. Para ele, demora cerca de 3 anos para o profissional se sentir mais seguro com seus processos e petições.

Thiago Schütz destacou ainda a importância do recém-formado se manter atualizado e investir em marketing pessoal para a carreira começar a deslanchar.  Segundo o advogado, o curso de Direito é apenas o início, é necessário que os jovens advogados procurem a área que tenham mais afinidade e já comecem a estagiar durante a graduação.

Além disso, uma especialização vai preparar o recém-formado para atuar em uma área específica. “O bacharel em direito não sai da faculdade pronto para advogar.  A faculdade ensina as disciplinas de Direito. É preciso fazer bons estágios, se esforçar bastante para poder advogar.”

Outra boa prática apontada por ele, é a busca por relações de longas duração, não apenas com os clientes, mas também com o advogado que atua na parte contrária. “Já vi jovens advogados saírem do tribunal chateados com o ex-adverso. É preciso respeitar o colega de profissão”, concluiu.

Gostou de nossas dicas para ajudar os jovens advogados no começo da carreira jurídica? Deixe sua opinião nos comentários e venha participar da conversa!

Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre gestão de escritório de advocacia? Faça seu cadastro e receba os materiais exclusivos do SAJ ADV diretamente em seu email.

2 Comentários

  1. Avatar

    Vcs estão de parabéns!!!! Os serviços prestados para conosco, jovens advogados são de grande valia.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *