Juntada de petição: qual a finalidade e como deve ser a estrutura?

Tempo de leitura: 8 minutos

Juntada de petição e petição de juntada

Todo advogado está mais do que familiarizado com a petição inicial. Afinal, ela dá início ao processo. No entanto, nem todos estão acostumados a ver outras situações em que essa peça processual também aparece. É o caso, por exemplo, da juntada da petição de manifestação, a petição de juntada de substabelecimento e a petição de juntada de procuração.

Esses são os casos que vamos abordar nesse post, esclarecendo o que cada um significa dentro do processo e como devem ser feitos pelo advogado. Vamos ao conteúdo?

A finalidade da Juntada de Petição

Antes de mais nada, vamos relembrar que a petição é a peça processual em que se exprime um pedido ao juiz. E, no ordenamento jurídico, são vários os modelos e as possibilidades de petições. Enquanto isso, juntada é, literalmente, o ato de juntar. Ou seja, trata-se de colocar junto aos autos do processo. Podemos falar, por exemplo, da juntada de provas,. Nesse caso, as provas relevantes para o caso são anexadas aos autos.

juntada de petição

Esse procedimento ainda pode ser físico. Todavia, com a migração para o sistema digital, muitos advogados já estão apostando no peticionamento eletrônico.



A juntada de petição, portanto, consiste no ato de anexar aos autos uma peça em que o advogado de uma das partes faz um pedido ao juiz.  Assim, tal pedido fica registrado formalmente dentro do andamento do processo.

É interessante notar, contudo, que existem dois termos parecidos: “juntada de petição” e “petição de juntada”. A petição de juntada é uma peça processual que solicita ao juiz que um documento específico seja anexado aos autos.

Fazendo uma brincadeira, poderíamos ter a “juntada de petição de juntada”, ou seja, a anexação aos autos de uma peça processual que solicita a anexação de outro documento aos autos. Na prática, porém, muitas vezes a distinção entre os dois termos não é enfatizada.

A estrutura de uma petição de juntada

A estrutura básica de uma petição de juntada realmente não tem segredos. Primeiramente, direcione o pedido ao juiz da Vara e Comarca em que tramita o processo. Em seguida, você deve brevemente mencionar o seu cliente, a ação em causa e a outra parte – mas não há necessidade de qualificá-los extensivamente, pois isso já foi feito na petição inicial. Depois, é o momento de realizar o pedido da juntada, esclarecendo qual é o documento em questão. Finalmente, o último passo é pedir o deferimento, subscrevendo-se.

Agora que você já sabe o que é juntada de petição e, também, petição de juntada, vamos ver alguns conceitos que estão relacionados a estes.

Juntada de petição

Como ressaltado, a juntada de petição refere-se ao ato de protocolar um pedido. Este procedimento pode ser feito fisicamente ou eletronicamente, a depender do meio processual. O pedido, então, será recebido pelo cartório, que o anexará aos autos e encaminhará ao juízo, independentemente do meio.  Confira, então, alguns exemplos de petições que podem ser juntadas aos autos:

1. Juntada de petição de manifestação

Uma petição de manifestação é aquela por meio da qual a parte se manifesta em relação a um despacho produzido pelo juiz. Ou seja, quando demandada, oferece uma resposta.

O exemplo mais simples talvez seja o da petição de manifestação em resposta à citação do réu para audiência de conciliação ou mediação. Se a parte não tiver interesse na autocomposição, deve manifestar tal fato por meio de petição, que será juntada aos autos do processo. É, nesse sentido, a disposição do § 5º do artigo 334 do Novo CPC:

§ 5o O autor deverá indicar, na petição inicial, seu desinteresse na autocomposição, e o réu deverá fazê-lo, por petição, apresentada com 10 (dez) dias de antecedência, contados da data da audiência.

Então, tem-se exemplo de juntada de petição de manifestação.

2. Juntada de petição de alegações finais

Em alguns processos, pode ser que haja momento para apresentação de alegações finais. É, por exemplo, algo comum nos processos criminais. Apesar da previsão do artigo 334 do Novo CPC, priorizando a oralidade das razões finais, é prevista a possibilidade de sua apresentação escrita no § 2º. E, de fato, esta é uma prática comum no Direito brasileiro.

Nesses casos, convenciona-se dizer que essas alegações são expressas por meio de uma petição, a qual é anexada aos autos. Tem-se, então, a juntada de petição de alegações finais.

Petição de juntada

1. Juntada de substabelecimento

Quando o seu cliente assina uma procuração, ele pode autorizar o advogado a realizar o substabelecimento. Isso significa que o advogado poderá, se necessário, delegar parte dos poderes da procuração a uma terceira pessoa para atuar no processo. Essa delegação de poderes, contudo, só pode gerar efeitos se estiver formalmente registrada nos autos. Portanto, é necessário redigir uma petição solicitando que seja juntado o termo de substabelecimento.

2. Juntada de procuração

Para a parte autora, via de regra não se faz necessária a elaboração de um pedido para que se junte a procuração, haja vista que a procuração já é juntada aos autos quando ocorre a criação do processo por meio da petição inicial. No entanto, para a parte ré ou, até mesmo, supondo casos de mudança de representação ao longo do processo, é a petição de juntada de procuração que permite anexar aos autos o termo do mandato do advogado.

3. Juntada de documentos

Durante o processo, pode ocorrer a necessidade de apresentar outros documentos, a requerimento das partes ou de ofício. É, por exemplo, o que se prevê no artigo 435, Novo CPC:

Art. 435.  É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos.

Parágrafo único.  Admite-se também a juntada posterior de documentos formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntá-los anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com o art. 5o.

4. Outros casos

Estes são apenas alguns exemplos de casos em que é necessária a petição de juntada. Veja outros:

  • laudo pericial;
  • certidão de óbito;
  • planilha de cálculo;
  • depósito judicial.

Então, fica claro que, havendo um documento de relevância para o processo e cuja juntada seja permitida, o advogado deve elaborar um pedido solicitando sua anexação aos autos.

Agravo de petição

O agravo de petição é forma de recurso que foi extinta no processo civil pelo Novo CPC. Porém, ele continua sendo aplicável nos processos trabalhistas. Sua característica preponderante é ser voltado a contestar penhora e cálculos de liquidação presentes na decisão judicial.

Indeferimento de petição

Assim como qualquer pedido dentro de um processo, a petição de juntada pode ser indeferida pelo juiz. Um exemplo é o caso recente em que a 3ª turma do STJ afirmou entendimento no sentido de que, em fase recursal de ação de alimentos, o juiz pode indeferir a petição de juntada de documento comprovando demissão sem justa causa do devedor da pensão alimentícia.

Esse caso ilustra que a mera elaboração adequada da petição não assegura completamente a inclusão do documento em questão nos autos do processo. Tampouco, consequentemente, a sua consideração para fins de sentença.

Juntada de petição incorreta

Eventualmente, ocorre de os advogados fazerem a juntada no processo errado. Ou, ainda, de perderem o prazo. Nesses casos, não há como escapar ao ônus. O melhor a fazer é evitar que esse tipo de situação aconteça, por exemplo, adotando um bom software jurídico que permita realizar um acompanhamento processual eficiente.

Em outros casos, no entanto, também ocorre de juntar a petição incorreta por erro da serventia judicial. Uma vez que isto pode levar a erro na sentença, é passível de ser contestado através de embargos de declaração. Esse posicionamento pode ser encontrado de maneira recorrente em julgados.

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2 Comentários


  1. ARTIGOS EXCELENTES , CONTRIBUE MUITO PARA O APRENDIZADO DO ADVOGADO.

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