Mulher advogada: a liderança feminina nos quadros da OAB

Mulher advogada: a liderança feminina nos quadros da OAB

Mulher advogada: os desafios da atuação feminina, em uma carreira majoritariamente masculina, e os caminhos para a liderança na OAB

Você já ouviu falar que advocacia é para o público masculino? Você já ouviu alguém dizer que advogadas não tem espaço na OAB? De fato, a advocacia ainda é composta, majoritariamente, pelo público masculino. Contudo, pesquisas, deste ano, feitas pela OAB demonstram que a mulher advogada vem crescendo em números. essa realidade vem sendo modificada rapidamente.

Os últimos registros da Ordem dos Advogados do Brasil contabilizam algo próximo a 1.200.00 advogados. Desse número, 48% representam a mulher advogada. Ainda, considerando os dados e a evolução da participação feminina no Direito, a estimativa é que, até o ano de 2020, o número de advogadas mulheres seja superior ao de homens advogados.

A mulher advogada e seu espaço na advocacia

O que isso significa, afinal? Certamente, não apenas superioridade em número. Revela, sobretudo, que a mulher advogada está, definitivamente, ocupando espaços antes destinados apenas aos homens. Em 1906, a Sra. Myrthes Gomes de Campos foi a primeira mulher a ingressar no quadro de sócios efetivos do Instituto dos Advogados do Brasil, que, posteriormente, instituiu a Ordem dos Advogados do Brasil. Significa dizer, portanto, que Myrthes enfrentou, naquele tempo masculino e patriarcal, muitos preconceitos. E, justamente por isso, também foi pioneira na luta pelos direitos femininos, a exemplo do exercício da advocacia pela mulher, o voto feminino, a defesa da emancipação jurídica feminina, dentre outros.

Myrthes proferiu um importante discurso na abertura dos trabalhos de defesa. E dada a relevância dele, é interessante transcrevê-lo:

“[…] Envidarei, portanto, todos os esforços, afim de não rebaixar o nível da justiça, não comprometer os interesses do meu constituinte, nem deixar uma prova de incapacidade aos adversários da mulher como advogada. […] Cada vez que penetrarmos no templo da justiça, exercendo a profissão de advogada, que é hoje acessível à mulher, em quase todas as partes do mundo civilizado, […] devemos ter, pelo menos, a consciência da nossa responsabilidade, devemos aplicar todos os meios, para salvar a causa que nos tiver sido confiada. […] Tudo nos faltará: talento, eloquência, e até erudição, mas nunca o sentimento de justiça; por isso, é de esperar que a intervenção da mulher no foro seja benéfica e moralizadora, em vez de prejudicial como pensam os portadores de antigos preconceitos.” (O País, Rio de Janeiro, p. 2, 30 set. 1899).

mulher advogada e lideranca feminina na OAB

Liderança e movimento de construção

Liderança trata justamente disso: de ocupar espaços. No entanto, esse movimento externo deve ser acompanhado por um verdadeiro movimento interno de construção de uma personalidade verdadeiramente forte da mulher advogada. Ainda, deve ser seguida de desenvolvimento de competências e habilidades próprias de liderança.



O líder não é alguém comum e nem todos serão lideres em sua carreira profissional e existência. O líder é alguém que influencia positivamente pessoas a comportamentos transformadores ou realizadores. Essa influencia, contudo, deve partir não de premissas teóricas, mas principalmente de atitudes concretas que realizam e transformam. Liderar significa motivar pessoas a em busca da concretização de um objetivo comum. E a liderança feminina teria um conceito diferente? Como isso influencia a liderança da mulher advogada?

Impacto do gênero na resolução de problemas

Na verdade, a liderança feminina passa pelo conhecimento das habilidades do gênero feminino. Ou seja, das caraterísticas próprias do jeito feminino de ser. Mas também, do aproveitamento e aprimoramento dessas habilidades para construir competências concretas capazes de influenciar pessoas, equipes e até entidades. O olhar feminino numa dada situação tende a ser mais intuitivo, cooperativo, tolerante e mais humano do que o olhar masculino sobre a mesma situação, dizem especialistas. O simples fato de ser mulher, em regra, faz com que o conflito, o problema, possa ser resolvido de uma maneira singular. E é provável que um homem não resolvesse ou observasse igualmente esse mesmo problema.

Alguns podem até duvidar desse pensamento, haja vista que, na atualidade, tanto mulheres quanto homens acabam tendo acesso aos mesmos conhecimentos, cursos e capacitações. E isto, em tese, oportunizaria,  uma certa equivalência de maneiras de agir, entender e observar situações. Todavia, na pratica, talvez em virtude de diferenças biológicas e genéticas, as mulheres tem condicionamentos distintos dos homens.

Princípios da liderança

De acordo com o livro clássico de Dale Carnegie, “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, existem alguns princípios que compõem um líder. Por exemplo, a arte de saber criticar comportamento e ações e jamais as pessoas em si. Do mesmo modo, a arte de reconhecer os próprios erros e promover mudanças. Também a arte de saber sugerir ações de mudança ao invés de ordenar nesse sentido. Por fim, líderes sabem elogiar seus parceiros de trabalho com naturalidade e pelo merecimento verdadeiro não com intenções obscuras. E ainda conseguem enfrentar desafios com mais otimismo e foco.

Dale Carnegie, em sua obra, acredita que essas habilidades e competências podem e devem ser desenvolvidas por qualquer um. Mas de fato, os extrovertidos, e mais expansivos alcançariam resultados, quiçá, mais efetivos e rápidos do que os que são tímidos e introvertidos.

E como seria a liderança da mulher advogada? Isto é possível?

Mulher advogada e líder

Sim, defendemos insistentemente que sim!!! Primeiramente, a mulher advogada deve realmente amar a sua escolha profissional. Assim, poderá enfrentar com otimismo e força de vontade os “ossos do oficio”. Em segundo lugar, deve seguir em busca de sua realização como advogada, por exemplo. A partir do momento que ela desperta a consciência para sua missão de vida como advogada, porque entende que através dessa profissão ela realiza algo muito maior do que seus objetivos egoísticos, ela segue amadurecendo profissionalmente. Dessa maneira, qualifica-se sempre e parte para ocupar posições definidas e estratégicas na sua carreira. Pode, por exemplo, liderar e gerir seu próprio escritório ou um setor jurídico do escritório onde trabalha. Pode até mesmo liderar equipes e exercer essa função a partir de um acúmulo de experiências, as quais também a educam para desenvolver o espirito de líder nas situações ocupadas.

A partir disso, ou seja, de se auto liderar, a partir desse autoconhecimento, e de percepção de suas capacidades emocionais e intelectuais que vão se agregando a personalidade feminina, a mulher advogada lidera um espaço externo. E então, torna-se apta a liderar seus pares, seus colegas numa instituição como a OAB. Talvez seja através da ocupação efetiva e estratégica de cargos e funções que lhe garantam mais do que fotos e títulos. Mas será, sobretudo, através do trabalho e da voz para decidir, junto com o público masculino, os rumos da advocacia e da instituição.

A mulher advogada e o sonho de independência

Se a mulher, cada vez mais ocupa espaços, na advocacia, torna-se um movimento natural. Ela, então, se sentirá capaz e preparada para liderar também nas corporações e entidades jurídicas, tal como a OAB de seu Estado e a OAB federal. Não deve a mulher, portanto, se deixar abater por opiniões preconceituosas. Deve, sim, enfrentar o autopreconceito, a baixa estima, a própria concorrência feminina. Deve, ainda, pontuar suas habilidades e competências para atuação nos mais amplos espaços jurídicos. Isto exige trabalho continuo e árduo, mas é imprescindível.

Muitas advogadas, por não encontrarem, logo, a tão sonhada estabilidade financeira na advocacia, ou por não terem uma licença maternidade efetiva e pela intensa rotina forense acabam sendo seduzidas pelos concursos públicos. Muitas, também, acabam deixando a advocacia. Assim, a mulher advogada, muitas vezes, relega o seu sonho de ser livre e independente.

Novos caminhos para a advocacia feminina

Em 2015, para amenizar as desigualdades existentes entre homens e mulheres na advocacia e dar condições melhores para o exercício da advocacia pelo público feminino, foi publicado pelo Conselho Federal da OAB, o provimento n. 165/2015. Ele cria o Plano Nacional de Valorização da Mulher Advogada. E tem, como premissas, o efetivo respeito da condição da mulher advogada e a eliminação de obstáculos e situações que a impeçam de exercer dignamente a advocacia. Não obstante, tem por objetivo colocar a mulher como protagonista de sua advocacia e carreira jurídica. Cada seccional, portanto, deve adotar medidas que materializem as conquistas alcançadas pelo dito provimento.

Evidente que as condições da carreira de advogada são desafiadoras. Seja pela falta de estrutura dos juízos de primeira e segunda instância. Seja pela forma litigiosa que a advocacia ainda é tachada. Consequentemente, isto bane a mulher do pleno e satisfativo exercício dessa profissão.

Todavia, onde existe o problema também reside a solução. Justamente pela ocupação dos espaços institucionais e decisórios, a mulher advogada vai modificando os olhares masculinos para a realidade feminina. E assim garante direitos e condições do exercício profissional de forma efetiva.

Mulheres, liderem-se e sejam lideres de seus caminhos e espaços! Respeitem, acima de tudo, sua essência e o próximo, como a vocês mesmas!

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