Manual do jovem advogado – Como consolidar sua carreira jurídica

Tempo de leitura: 11 minutos

Como começar uma carreira sólida e conquistar espaço na área jurídica sendo um jovem advogado.

Depois de várias disciplinas, de um trabalho de conclusão de curso, de alguns estágios e de um Exame de Ordem, o jovem advogado costuma sentir um misto de satisfação e ansiedade. Está satisfeito por trilhar uma longa trajetória e, finalmente, completá-la rumo ao mercado. Todavia, está ansioso para botar a mão na massa e começar uma carreira jurídica longa e consistente.

Infelizmente, caro jovem advogado, não existe uma fórmula mágica para garantir o sucesso ou a empregabilidade nessa área. Destacar-se nesse mercado exige esforço, preparação, estudo, inovação e planejamento – bem diferente de uma fórmula mágica, mas mais real e efetivo. Esse último ponto pode ajudar um profissional recém-formado a orientar uma carreira de acordo com os seus ideais e anseios. Com esse plano em mãos, o jovem jurista pode buscar cursos, vagas profissionais e conteúdos alinhados com suas preferências, construindo, desde cedo, a orientação que ele deseja para sua carreira.

O planejamento de carreira jurídica para um jovem advogado, do jeito que colocamos, não é uma disciplina constante em todos os cursos de Direito. Ele depende do esforço de cada profissional.

Pense nesse material como um compilado de dicas. Não é um guia ou checklist para garantir o sucesso – quem dera pudéssemos garantir algo assim. Aqui, compilamos uma série de conselhos para você levar em conta e, aos poucos, construir seu próprio planejamento de carreira. Dividimos esse material em dois
grandes tópicos fundamentais para o  jovem advogado.

1. Dicas profissionais e gestão de carreira para um jovem advogado

Faculdade concluída, prova da Ordem vencida… E agora? Uma das primeiras recomendações para o jovem advogado é: volte um pouco no tempo e pense na sua graduação. Durante as atividades acadêmicas e aulas, alguma disciplina ou área certamente chamou a sua atenção. O que você gostou mais de estudar? Teve mais facilidade com algum segmento?



O breve flashback na sua graduação ajuda a definir um dos principais requisitos para o jovem advogado: a escolha de um ou mais setores para especializar-se. Essa dica é fundamental para um mundo complexo, com cada vez mais subáreas. Um estudo da Selem, Bertozzi & Consultores Associados (repercutido pela Revista Visão Jurídica) aponta que, em 1990, os escritórios brasileiros de advocacia atuavam em cerca de 10 áreas. Hoje, esse número chega a 48. Sinal de que existe cada vez mais demanda e mercado para advogados extremamente especializados – e que, quanto mais cedo você cair de cabeça em algum assunto, melhor.

Para definir uma ou mais áreas de atuação, outra alternativa é experimentar o máximo de segmentos possíveis durante o período de estágio ou até nas primeiras vagas profissionais. É interessante trabalhar com causas variadas (ou até diferentes perfis de empresas) até você identificar suas preferências e especialidades dentro do ramo jurídico. Não trate essa fase com desprezo – você vai tirar lições até dos trabalhos que você não vai querer levar para o futuro. Humildade e aprendizado são as palavras de ordem dessa fase.

Uma vez escolhida suas áreas favoritas, chegou a hora aprofundar os seus conhecimentos. O advogado deve estar em constante atualização de informações, seja por alteração de legislação, evolução ou alteração de interpretação de uma determinada lei. Uma das práticas mais comuns no ramo jurídico é procurar uma especialização. Existem uma série de cursos de pós-graduação, MBAs e cursos LL.M. (também conhecidos no Brasil como Master in Law) voltados para as mais distintas áreas. Além de todo aprendizado que você vai ter, esses ambientes são interessantes por dois motivos extras:

  • Você terá contato com professores especializados, que poderão indicar referências de conteúdo e, por que não, oportunidades profissionais e de negócio.
  • Você terá colegas de classe com interesses parecidos com os seus. Ótimo espaço para networking e construção de parcerias de negócio.

Outra possibilidade interessante: que tal estudar Direito no exterior? Pode ser uma excelente oportunidade do jovem advogado expandir seus limites profissionais e até culturais.

Além da educação formal, procure outros meios de se manter informado sobre o seu segmento de atuação. Portais de notícias jurídicas, como o Jota e o Consultor Jurídico, e blogs especializados como o Blog do SAJ ADV publicam muita informação e conteúdos para advogados. Acompanhe também os influenciadores, juristas e especialistas conhecidos do Direito, eles costumam ter sites, perfis ativos nas redes sociais ou contribuem para grandes publicações do ramo.

O acompanhamento do universo jurídico pelos portais leva-nos a mais uma dica fundamental: não deixe de olhar o mercado. Observe os grandes temas em discussão e como o Direito trabalha com esses assuntos. Além disso, veja os movimentos dos grandes escritórios de advocacia: quais áreas e causas eles estão atendendo? Existem novas unidades de negócio? Essas informações podem ajudá-lo a buscar demandas diferentes e abrir novas frentes.

A observação constante do mercado vai ajudar você a compor uma das estratégias mais eficientes para o planejamento de carreira jurídica: a criação de objetivos. Como citamos antes, não existe checklist para o profissional de Direito cumprir. Entretanto, você deve estabelecer algumas metas profissionais, pensando em curto, médio e longo prazo. Um exemplo: seu objetivo é construir carreira em uma grande consultoria do ramo tributário. No curto prazo, você pode fazer uma pós-graduação LL.M. nessa área. Em médio prazo, você pode buscar trainees e vagas de perfil mais júnior dentro de empresas que trabalham nesse segmento. Com tudo isso, no longo prazo, você poderá criar um portfólio de cases e conquistas – o que aumenta suas chances de trabalhar em consultorias tributaristas.

É lógico que a vida não vai andar naturalmente como você planejou. De toda forma, é importante ter essas metas documentadas para orientar suas escolhas. Com objetivos bem traçados, você consegue ver se suas perspectivas profissionais são positivas ou se é necessário um reposicionamento.

2. Gerenciando o próprio negócio

Uma das possibilidades existentes para o jovem advogado é criar seu próprio escritório ou sociedade. Algumas pessoas se sentem mais à vontade para empreender, outros preferem seguir carreira em grandes organizações e ainda há advogados que tocam seus empreendimentos pessoais em paralelo a carreiras em organizações privadas ou públicas. O importante é: não existe um caminho certo ou errado.

Caso você opte por uma trajetória empreendedora, existem algumas boas práticas que devem ser seguidas para evitar problemas financeiros, gerenciais e até pessoais. A primeira decisão é: você terá seu escritório sozinho ou associado a outros profissionais? Existe uma cultura muito grande no Brasil de advogados associados – todavia, ela não é a normal. Essa decisão deve ser muito bem pensada: um grande amigo de faculdade talvez não seja o parceiro ideal de negócios. Procure pessoas com perfis complementares ao seu e que tenham afinidade com suas preferências profissionais. Além disso, fique ciente das especificidades jurídicas do regime de advogados associados – nossa equipe detalhou um pouco mais este assunto em um post no nosso blog. Nossa experiência no ramo jurídico mostra que, geralmente, os escritórios de advocacia brasileiros contam com dois perfis de sócios:

  • O advogado gestor: responsável por questões gerenciais, pelo caixa do escritório e pelo fluxo de demandas (ou pela falta de fluxo);
  • O advogado “fazedor”: ligado mais às atividades operacionais e preocupado com o sucesso dos processos e ações.

Não pense nesses dois perfis como uma regra geral, mas lembre-se: o jovem advogado e seu negócio precisa ter esses dois perfis dentro da sua empresa. Ambas as preocupações são essenciais para o desenvolvimento do negócio.

2.1. Não esqueça das finanças

Além de planejamento de carreira, outra disciplina que faz falta dentro das faculdades de Direito é “Noções de finanças e gestão empresarial”. É muito comum ver advogados associados com exímio talento na área jurídica, mas que fracassam por falta de tato gerencial. Para evitar mais um case de fracasso, recomendamos fortemente que você se preocupe com o fluxo de caixa do seu escritório desde o dia zero de empresa.

No início, um escritório jurídico costuma ter poucos gastos, geralmente ligados à infraestrutura física e gastos com procedimentos legais. É importante prever um certo valor para cobrir esses custos no início do escritório e projetar quando você receberá os primeiros pagamentos de serviços. Para negócios iniciantes,  existe a possibilidade de buscar crédito com instituições financeiras. Em 2014, a OAB fez uma parceria com a Caixa Econômica para oferecer, entre outros serviços, uma linha de crédito para capital de giro. Contudo, como em qualquer situação dentro ou fora do âmbito profissional, recomenda-se parcimônia ao tomar crédito.

Outras duas dicas financeiras que o jovem advogado deve levar em consideração:

  • Não misture as contas pessoas com os gastos da empresa. São coisas diferentes, colocá-las no mesmo patamar pode gerar problemas profissionais e pessoais. Para evitar essa cilada, dê uma olhada nas dicas que nós compilamos recentemente no nosso blog.
  • Outra recomendação que publicamos no blog, e que vale a sua leitura, é o cuidado com a cobrança. Faça da forma adequada e evite problemas de fluxo de caixa no futuro.

2.2. O cliente em primeiro lugar

Pense em uma empresa genérica, de qualquer segmento. Para ela se manter viva, é preciso ter um profissional ou uma equipe dedicada para vendas, correto? No ramo jurídico isso não é diferente. O profissional brasileiro de direito tem um olhar diferenciado sob a questão comercial, principalmente por conta das restrições de publicidade colocadas pelo Código de Ética da OAB.

É possível fazer uma captação de clientes na advocacia de forma consistente e ética, trazendo demandas e receita para o seu escritório. Alguns pontos que você, jovem advogado, deve levar em conta:

  • Trabalhe a divulgação do seu escritório dentro das regras de marketing jurídico.
  • Além disso, crie uma estrutura de prospecção de clientes com rotinas bem definidas. Para inspirar e ajudar você, dê uma olhada na entrevista que fizemos com um dos sócios do Menezes Niebuhr Advogados Associados. Lá, mostramos algumas dicas de um grande escritório para a busca de clientes.

2.3. Jovem advogado, não perca o controle

Por fim, uma empresa na área jurídica deve, desde o início, preocupar-se com procedimentos internos bem definidos. E cabe separar bem os conceitos de “procedimentos internos” com “burocracia”. Muitos advogados buscam carreiras autônomas e empreendedoras justamente para evitar ambientes com muitas regras e códigos internos. Não queremos que você crie um ambiente altamente complexo e burocratizado. Recomendamos apenas que você siga algumas boas práticas para otimizar seu tempo e esforços.

  • Gestão do tempo de trabalho: além do bom e velho controle de horas, praxe dentro da área jurídica. É importante administrar bem o seu tempo para evitar trabalho além da conta, sem espaço para lazer e descanso.
  • Gestão dos prazos e procedimentos: o sistema jurídico brasileiro tem prazos e procedimentos muito bem estruturados. Certifique-se de que seu escritório seguirá todos esses padrões. Alguns softwares jurídicos – como o próprio SAJ ADV – podem ajudar você nessa tarefa.

Manual do jovem advogado

Ao final deste material, esperamos que você tenha uma ideia mais clara sobre planejamento de carreira dentro do Direito. Como foi destacado, é fundamental experimentar diferentes áreas da carreira jurídica. Enquanto ainda está na graduação para escolher o ramo com o qual você mais se identifica, aprofundar-se no segmento escolhido e ter noções de gestão para ser um profissional bem-sucedido.

Com conhecimento, planejamento e uma certa dose de inovação, é possível alcançar bons patamares e se destacar dentro do cenário jurídico brasileiro.

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