Gestão de escritórios de advocacia: conheça os modelos mais adequados

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O aumento da competitividade, a modernização do Judiciário e a implantação dos processos digitais forçou a advocacia a transitar de forma mais profissional em uma área não tão familiar a ela: a gestão de escritórios. Com isso, os advogados passaram a se dar conta da importância de adequar a estrutura organizacional e administrativa de uma banca aos mesmo moldes de uma organização empresarial.

Desta forma, o desafio de modernizar os escritórios de advocacia se tornou ainda maior para os profissionais do Direito, que devem ir além da performance técnica para garantir a qualidade dos serviços prestados. Ao mesmo tempo, porém, isso não é motivo para tanta preocupação. A tecnologia, hoje, consegue oferecer uma grande contribuição a esse cenário, absorvendo algumas das principais atividades da rotina jurídica. Isso faz com que o advogado-gestor do escritório possa, portanto, ficar inteiramente dedicado ao sucesso da banca e à promoção de estratégias que sejam capazes de garantir a inovação constante do modelo de gestão.

Existem, hoje, uma grande diversidade de modelos de gestão no mercado. Para ajudar a escolher a melhor opção a cada perfil de escritório de advocacia, convidamos o especialista em gestão Marcelo Silveira, assessor de Planejamento e Gestão na Softplanpara esclarecer os dois mais indicados para a realidade jurídica: o modelo de gestão vertical e o modelo de gestão horizontal.

Conheça as características dos modelos recomendados para a gestão de escritório de advocacia

Gestão vertical

O modelo de gestão vertical é aquele que centraliza o comando e o controle das atividades. Está, portanto, associado à uma estrutura hierárquica bem definida, em que as atividades são demandadas por uma abordagem top-down (de cima para baixo). Isso faz com que as decisões sejam tomadas unilateralmente, refletindo em todas as camadas hierárquicas seguintes. Para Silveira, esse modelo implica na burocratização das atividades.

“o modelo vertical é o modelo tradicional, realidade da maioria  dos escritórios de advocacia e das empresas brasileiras. Os problemas desse modelo são conhecidos: colaboradores infantilizados, lentidão nas decisões e nas ações da organização e dificuldades na comunicação”.



Quando comparado com a gestão horizontal, o modelo de gestão vertical demonstra estar ultrapassado. Mesmo assim, Silveira destaca a necessidade da avaliação do gestor sobre a viabilidade de implementar uma mudança na cultura organizacional da empresa.  

“É necessário avaliar o quanto a organização está perdendo com o modelo tradicional. Isso em termos de tempo, energia dissipada e dinheiro desperdiçado, por exemplo. Se o escritório concluir que o desperdício nesse sentido é muito grande, é hora de buscar uma solução. Uma das possibilidades, portanto, é o uso do modelo de organização horizontal (flat organizations)”.

Gestão horizontal

O modelo de gestão horizontal é adotado e difundido principalmente pelas empresas de tecnologia. Essa estratégia é marcada, por exemplo, pelo incentivo à valorização do trabalho colaborativo e à multidisciplinaridade das equipes responsáveis por um setor ou projeto específico. Segundo Silveira,

“Não se trata simplesmente de um downsizing (achatamento) da pirâmide organizacional. O modelo de gestão e organizações horizontais baseia-se fundamentalmente no empoderamento dos colaboradores, que passam a não depender de um superior para atuar dessa ou daquela forma. Ou seja, as pessoas tem um maior poder de decisão. Isso torna a organização mais ágil e elimina a necessidade da criação de níveis hierárquicos e mecanismos de controle”.

De acordo com ele, a adoção deste modelo implica em mais responsabilidade, já que todos os profissionais se comprometem com o planejamento, com a execução das atividades e com os resultados obtidos. As decisões são tomadas de forma colaborativa, por consenso entre todos os integrantes da equipe.

“Neste modelo, as pessoas precisam ser preparadas para assumir a responsabilidade pelas próprias decisões, ainda que algumas delas sejam compartilhadas. Portanto, cabe ao líder preparar a equipe para essa mudança. Isso passa, portanto, pela discussão das decisões com os liderados: como agiriam, baseadas em quais informações e que resultados esperam obter, por exemplo. Ou seja, compartilhar as decisões e acompanhá-las ocasionalmente, colocando-se à disposição para que as pessoas recorram a ele, ainda que não haja mais uma liderança efetiva. Outro aspecto importante é que os líderes acabam perdendo poder nesse modelo de gestão. Por isso, cabe também aos sócios do escritório trabalharem essa mudança de mentalidade, reforçando os ganhos para todos”.

modelo de gestao

Estímulo ao intraempreendedorismo

A adoção da gestão horizontal busca, em especial, a redução de interferências e de atrasos decorrentes da relação entre setores e níveis hierárquicos já estabelecidos, seja de forma total ou parcial. Portanto, isso garante maior engajamento dos profissionais, estimulando o chamado intraempreendedorismo no escritório.

Silveira enfatiza que

“Pela natureza do trabalho e também pelo tipo de colaborador, a gestão horizontal é de longe a que pode proporcionar mais benefícios para o escritório. Ela permite, por exemplo, maior agilidade e flexibilidade da empresa, maior autonomia e satisfação do colaborador e uma melhor qualidade da comunicação dentro da companhia, tanto com seus clientes quanto com o mercado. No entanto, cabe ressaltar que, como toda mudança, essa também traz consequências. Por isso, esse custo deve ser claramente dimensionado. Há, por exemplo, risco de perda de colaboradores que não se adaptam ao novo modelo e acabam abandonando a empresa”. 

Desta forma, tanto o modelo vertical quanto o horizontal podem ser adotados na gestão do escritório de advocacia. Cabe ao gestor, no entanto, avaliar qual deles se mostra mais adequado à realidade organizacional da banca e como cada um pode contribuir para o desenvolvimento da equipe, levando em consideração a estrutura e o grau de maturidade da gestão.

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Gestão de escritório de advocacia: Guia definitivo, objetivo e indispensável

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