A percepção da realidade e sua importância na advocacia

Tempo de leitura: 7 minutos

Em que ponto você se posiciona e como você percebe a realidade na advocacia?

A realidade é dinâmica, complexa, e, muitas vezes, imprevisível. Os seres humanos, por sua vez, são egoístas e se julgam donos da verdade, e isso de forma individual. Ou seja, cada indivíduo tem uma verdade absoluta. No entanto, a realidade não acontece somente a partir da sua verdade, do seu ponto de vista. Já parou para refletir sobre isso? Quem disse que o seu ponto de vista é correto, que é a verdade absoluta? E já pensou em como isto pode influenciar na advocacia?

Caro leitor, tenho uma notícia: a realidade pode não ter absolutamente nada com seu ponto de vista, sabia? A sua opinião, a sua verdade, é fruto da sua percepção de mundo e de diversos filtros que você possui: crenças, medos, fobias, desesperos. Portanto, o seu ponto de vista pode não ser o mais adequado para resolver algo ou chegar a um resultado específico, quer seja desejado ou necessário.

Suas opiniões e considerações são importantes para você, é verdade. Mas existem ocasiões em que é preciso extravasar o seu ponto de vista, enxergando além dele. E assim, avaliar um acontecimento ou resultado por um aspecto diferente. Você tem essa percepção, consegue enxergar o impacto disso? Na advocacia, isto pode ser a diferença entre ter êxito ou não em uma causa, por exemplo. Ao fazer tal exercício, estamos fazendo posições perceptuais, ou posições perceptivas, como chamam alguns autores, e essa é uma ferramenta usada em diversas áreas, como a Psicologia e o Coaching.

advocacia

Os pontos de vista na advocacia

Poderíamos filosofar por horas sobre tudo isso, mas prefiro ser prática e ensinar algo que pode te ajudar. Passemos, então, a falar sobre as posições perceptuais, e como elas podem auxiliar você, caro advogado. E te ensino, dessa maneira, a como fazer esse exercício.

Pode até ser que você faça algo parecido, ou parte disso, de forma desestruturada. Portanto recomendo que você ligue seu sensor para isso, e faça essa mudança de ponto de vista sempre que possível ou necessário. Estamos falando de três posições, de três pontos de vista, quando falamos dessa ferramenta. E em cada uma delas, é possível ter o olhar de um individuo nas interações.



1. “Eu”, o indivíduo que percebe e reflete

Na primeira posição, estamos falando do “EU”. Falamos, então, do próprio individuo que está fazendo a reflexão de pensar sobre o evento ou conflito. Associado ao seu próprio ponto de vista, vemos, ouvimos e sentimos a situação através dos próprios olhos, ouvidos e sensações, pensando em termos do que é importante para você, o que você quer alcançar na advocacia ou na vida, por exemplo.

Em termos práticos:

  1. Essa seria a posição do seu cliente, como ele enxerga os fatos que o levaram a procurar os seus serviços.
  2. Pode ser também o ponto de vista de você, advogado, fazendo uma reflexão sobre o tema que está trabalhando.

2. “Você”, outra perspectiva em interação

Por sua vez, a segunda posição, traz a visão do outro, associado ao seu ponto de vista, assim como as crenças e suposições. Em termos práticos, é, por um momento, esquecer o que você mesmo pensa, calçar os sapatos da outra pessoa e experimentar, vendo, ouvindo e sentindo a situação como se fosse esta outra pessoa. E a partir desta perspectiva, você pensa como essa situação pode parecer ou ser interpretada por este outro individuo. A essa posição damos o nome de “VOCÊ”.

Em termos práticos:

  1. esse seria o ponto de vista da outra parte que está vivenciando o conflito ou evento; ou ainda
  2. o ponto de vista do cliente que você, advogado, está atendendo.

Aqui está uma dica muito legal: essa posição é bastante importante na advocacia, pois através dela é possível perceber o que a outra pessoa pensa sobre a questão, sem os seus próprios julgamentos e percepções sobre o assunto. Esse exercício, por si só, vai permitir pensar no assunto de uma forma diferente, e levar a conclusões que o indivíduo, na primeira posição, não teria por si só.

3. “Eles”, os observadores

Afastado da situação e vivenciando-a como se fosse um observador separado, a terceira posição requer que você faça o exercício mental de ver, ouvir e sentir a si mesmo e a outra pessoa com a qual se interagiu na segunda posição, como se fosse uma terceira pessoa. O que eles estão produzindo, conjuntamente, é bom, legal? Ou é negativo? Confuso? Muitas podem ser as percepções. A essa posição damos o nome de “ELES”.

A partir deste ponto de vista, que não está envolvido na interação daqueles indivíduos, você pensa em quais opiniões, conselhos ou observações faria. Para atuar nesta posição, é necessário estar isento de ânimos, e perceber objetivamente como funciona a interação entre as partes, procurando oportunidades de melhorias e um resultado diferente e mais positivo do que existente.

Em termos práticos, essa posição:

  1. é das demais pessoas que observam a interação entre os indivíduos da primeira e segunda posição, ou ainda
  2. a percepção da interação entre advogado e cliente, caso seja esse o enfoque do exercício.

Os benefícios de se colocar no lugar do outro

Você deve estar se perguntando: mas para que serve todo esse exercício de pensar como outra pessoa e como eu posso aplicar isso na advocacia?

  1. Esse olhar permite melhorar a compreensão de outras pessoas, como elas pensam e agem;
  2. É também uma oportunidade de analisar a situação ou resultado sem seus “preciosos julgamentos”, permitindo enxergar outras soluções ou contextos, diferentes dos seus próprios.
  3. Permite, ainda que você pense de forma mais flexível e ao mesmo tempo criativa, para decidir o que fazer sobre a questão, que pode ser resultado da combinação de suas percepções combinadas com a das outras posições.
  4. Para quem está fazendo esse exercício, é possível refletir sobre sua influência sobre as outras pessoas, quer seja através das palavras, postura, expressões faciais, etc.

Passemos a falar da vida real, caros colegas. Imagine-se em uma reunião de trabalho, com o cliente, com outro advogado, ou até mesmo uma conversa com o juiz. Como essas pessoas enxergam aquilo que você está dizendo? Como elas recebem suas considerações, e como reagem a elas?

Como a interação entre vocês repercute: com harmonia para ambas as partes, ou com disputa? É bom ou ruim? É produtivo para você?É produtivo para o outro?

Pensar como outro contribui para o sucesso

O sucesso na advocacia vem da habilidade de transmitir conhecimento técnico e também carisma, como profissional e individuo. Esse é o diferencial que fideliza o cliente, faz com que ele queira os serviços do escritório de advocacia novamente. Um advogado que é grosseiro, ou mesmo sendo cortês, mas sem levar em consideração outros pontos de vista pode não ser procurado pelo cliente uma segunda vez. Esse também é um ponto que pode fazer diferença em relação a outros profissionais: na imagem que você transmite aos seus pares, criando respeito e credibilidade.

E isso serve também para o lado pessoal, claro! Já se colocou no lugar da sua mãe, do marido ou esposa, do seu amigo? Como eles enxergam você? Que percepção a interação entre você e qualquer uma das pessoas que citei reflete para as demais pessoas? Está satisfeito com tudo isso?

Para concluir, trata-se de uma abordagem equilibrada para pensarmos sobre um evento ou resultado. Permite a cada um de nós desenvolver novas compreensões e criar escolhas. Não escolha uma posição. Navegue por todas e escolha o resultado mais congruente e eficiente, não só para o seu ponto de vista. Assim, você enxergará de outra forma a profissão e a carreira jurídica. Fica a dica.

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