Sociedade de advogados: como buscar sócios para o escritório de advocacia

Dicas de como escolher o melhor sócio para uma sociedade de advogados

No vídeo Dissolução de sociedade de advogados: quem sai perdendo?, a consultora de gestão legal, Camila Berni, explica que, na hora de desfazer uma sociedade de advogados, todos saem com alguma desvantagem. O advogado que sai, o que fica, os clientes e também o escritório. Afinal, sua imagem pode ficar arranhada no mercado. Para ela, o momento é emocionalmente complicado. Diante disso, deve ser administrado com muita sabedoria para que a reputação dos profissionais e do escritório de advocacia não saia prejudicada.

Em entrevista ao blog do SAJ ADV, a consultora esclareceu que: “a busca de um sócio talvez seja a decisão mais delicada que um advogado empreendedor vai enfrentar. O advogado precisa ter muito claro o que quer ser na advocacia enquanto negócio, e isso precisa estar muito alinhado com a visão de futuro e de vida pessoal que os profissionais envolvidos querem para si.”

Ela explicou ainda que é comum que os advogados procurem firmar sociedade com um profissional com quem tenham afinidade ou que se identifique com os mesmos ramos do direito. Camila, contudo, lembra que a sociedade de advogados é como um casamento. Portanto, existem outros parâmetros que devem ser analisados além da afinidade, como em qualquer negócio.

Veja, então, alguns pontos sobre os quais se deve pensar antes de firmar uma sociedade de advogados.

escolher sócio para sociedade de advogados

1. Entender quem você é como indivíduo e como profissional

Parece um enunciado de auto-ajuda, mas não é. É uma questão basilar em qualquer profissão. Afinal, por trás de toda decisão, há uma pessoa inserida num contexto, com um perfil particular e interesses próprios. E entender quem é essa pessoa, facilita não apenas a identificação dos caminhos que se desejam percorrer, mas também a compreensão do que é necessário para percorrê-los.

É preciso, portanto, entender o que motiva o profissional como advogado. Quais seus interesses? Por que busca uma sociedade de advogados? Quais os aspectos mais ou menos positivos de sua atuação e de seu posicionamento? A honestidade na resposta a essas perguntas facilitará a implementação das dicas posteriores. Mas também proporcionará maior garantia de sucesso



2. Procurar perfil complementar

Muitos acreditam que trabalhar com um profissional semelhante contribua para a harmonia na relação. No entanto, pode-se perder algo algo nessa escolha. Perfis parecidos podem formar grande parcerias, no âmbito afetivo. Contudo, assim como fortalecem os aspectos positivos dessa parceria, não solucionam, exatamente os aspectos negativos, em um sentido profissional.

Imagine-se que dois advogados centrados e que amam pesquisar teses jurídicas se unam para formar uma sociedade de advogados. Provavelmente, será uma parceria que produzirá peças jurídicas de alta qualidade. Se ambos, todavia, não possuírem caráter mais aberto, voltado à comunicação com clientes e gerência de um escritório, pode ser que esses aspectos do negócio sejam negligenciados.

A consultora de gestão legal explicou, então, que uma boa prática para firmar uma sociedade de advogados é procurar um sócio que tenha perfil complementar ao seu. Assim, se o advogado não tem perfil comercial, precisa se associar com alguém que tenha essa característica. É preciso vislumbrar a sociedade como uma forma de empreender no mercado jurídico. E características como aquelas são importantes para o escritório prospectar clientes e firmar novos negócios. E, assim, alcançar o sucesso.

Explica Camila Berni, desse modo:

Há advogados que querem se envolver mais na operação do escritório, que gostam da adrenalina de prazos, audiências e atendimentos. Há outros que possuem um perfil empreendedor, que querem que o escritório ande sozinho, sem a presença física deles e que possuem outros negócios além da advocacia. Esse alinhamento de perspectiva de vida e de futuro, de valores pessoais precisa ser muito bem avaliada.

3. Valores pessoais

Outro ponto importante é procurar um sócio que tenha os mesmos valores pessoais que você. No tópico anterior, falou-se que é preciso buscar um profissional que complemente o perfil do outro sócio. No entanto, complementar não significa ser exatamente o oposto. Tampouco significa divergir sobre questões fundamentais do negócio.

Portanto, é preciso estabelecer questões elementares em relação aos valores pessoais do possível sócio. Elencar, por exemplo, condutas que sejam consideradas intoleráveis ou condutas que sejam mais bem vistas do ponto de vista pessoal, mas sem ser inflexível, além das características complementares.

Isto não repercutirá apenas no relacionamento profissional entre os sócios. Claro, uma boa interação em uma sociedade de advogados precisa de comunicação e entendimento. Contudo, vai além disso. Impacta também na imagem do escritório perante outros profissionais e perante os clientes.

Basta refletir: se o sócio escolhido for acusado de desrespeito, assédio ou se estiver envolvido em fraudes, os clientes não evitarão apenas esse profissional em específico. O nome do escritório em que ele atua também será afetado por essa imagem negativa.

É necessário, desse modo, avaliar se o serviço prestado por ele é transparente, verdadeiro, ético e honesto. Afinal, a advocacia vive de relacionamento e reputação e a sociedade de advogados deve passar credibilidade para os clientes do escritório.

4. Compatibilidade de interesses quanto à sociedade de advogados

Uma vez que se alinhe a questão da complementariedade dos perfis e do alinhamento de valores, resta ainda outra questão. É preciso analisar quais os objetivos pessoas e os interesses relativos ao negócio de cada profissional antes de firmar uma sociedade de advogados.

Não significa, no entanto, que os sócios devam almejar as mesmas coisas para as suas vidas. Contudo, é preciso deixar claro o que cada um pretende com a sociedade. E também alinha expectativas, para traçar um plano de negócios compatível. E também para não gerar frustrações e desentendimentos futuros a curto prazo.

Deve-se perguntar, portanto:

  1. Qual caminho eu desejo seguir com essa sociedade?
  2. Qual o perfil de sociedade que eu desejo?
  3. Desejo que ela cresça em número de processos, em número de clientes, em número de parcerias, em pontos de atuação? E em que medida?
  4. Desejo especializar o negócio ou abranger diversas áreas?
  5. Desejo que cresça também em número de colaboradores?
  6. Qual o ritmo de trabalho a curto, médio e longo prazo?
  7. Qual a resposta do eventual sócio para todas essas perguntas?

Se um sócio, por exemplo, quer praticar uma advocacia mais intimista, não se deve esperar algo diferente dele. Ou se ele deseja investir no negócio apenas por um tempo, para, então, se dedicar a outras atividades, é preciso levar isto em consideração.

Por óbvio, não implica em uma obrigação a longo prazo. Contextos mudam, assim como opiniões e decisões. Então, é preciso ver isto como um indicativo de como funcionará a sociedade e não como regras absolutas. No entanto, as incompatibilidades de interesses importam na tomada de decisões a curto, médio e longo prazo. Enfim, clareza quanto aos objetivos profissionais e compromissos assumidos para alcançá-los é imprescindível.

5. Capacidade de gerar novos negócios

Na hora de buscar um novo sócio para o escritório de advocacia também é essencial verificar o seu potencial para o empreendedorismo na advocacia. Na primeira dica, esse aspecto do perfil foi utilizado como exemplo. Contudo, o foco era em uma complementariedade.

Agora, então, o foco da análise de perfil de um profissional para a formação de uma sociedade de advogados está na competência para a geração de novos negócios, por exemplo. Ou em visão e perfil empreendedor, na capacidade de assumir riscos calculados e qualidade da rede de relacionamentos.

Nem todo advogado terá esse perfil, claro. Indivíduos são diferentes. E, dessa forma, deve-se buscar diferentes perfis para compor uma sociedade mais forte. No entanto, o empreendedorismo é importante. Como qualquer negócio, a advocacia necessita desse investimento para que consiga prosperar e se manter. É preciso, afinal, pensar em como pagar as contas essenciais, funcionários, entre tantos gastos. E, para isso, será necessário se colocar no mercado.

Ainda que nenhum dos profissionais tenha, naturalmente, esse perfil, é possível buscar alternativas então. Existem dicas de como se tornar um advogado empreendedor. Dicas de marketing jurídico ético. Dicas de como se posicionar no mercado. E dicas de como gerir bem um escritório.

A escolha de um sócio não é uma tarefa simples. Exige mais do que apenas compatibilidade. É preciso entender quem cada um é como profissional, mas também entender o negócio como algo à parte. Dessa forma, o próprio empreendimento será fortalecido, gerando vantagens para todas as partes.

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