Coaching: como trabalhar com sonho, meta e ilusões na advocacia

Tempo de leitura: 7 minutos

A palavra sonho tem alguns significados práticos na cultura atual. Naturalmente, tem a ver com nosso biológico, no momento em que dormirmos. Mas também significa aquelas coisas que consideramos impossíveis ou absurdas de ser realizadas. Aquelas que, muitas vezes, também chamamos ilusões ou, até mesmo, devaneios. E isso inclui, claro, a advocacia.

É sobre esse segundo tipo que iremos tratar neste post.

Quando pensamos em sonho com esse contexto cultural vem à memória o mundo imaginário. E o mundo imaginário costuma nos remeter à fase de infância, ou, então, de pessoas que vivem no mundo da ilusão. Afinal, quem não conhece uma criança que conta muitas histórias? Ou que, então, fala do futuro e de tudo que deseja realizar? Ou ainda um indivíduo que sonha com coisas que parecem impossíveis de acontecer ou de se realizar?

Os indivíduos que vivem no mundo da fantasia. Todo mundo conhece gente assim, com certeza. Sempre pergunto para as minhas filhas – de 5 e de 8 anos – o que elas querem ser quando crescer, ou o que desejam realizar em termos de família, lugares e pessoas, por exemplo. Penso que esse é um bom exercício para estimular a imaginação delas e o ato de sonhar. Quinze dias atrás, quando fiz essas perguntas, a caçula respondeu:

Mãe, quando crescer eu quero ser veterinária, pediatra, advogada, professora, ginasta artística, bailarina que viaja o mundo todo e mamãe.



Minha resposta para ela foi:

Uau, você vai fazer muitas coisas diferentes e legais, não vai sobrar tempo para ficar entediada.

Ela me deu um sorriso e saiu saltitando. Não seria eu quem estragaria as fantasias que ela tem.

Quando o sonho é um indício de projetos realizados

Claro que é improvável realizar tantas coisas em uma só vida. Para nós, que somos adultos, isso fica bastante evidente. Ao mesmo tempo, no entanto, esse exercício ensina a ela – uma criança – que é possível realizar sim tudo o que se deseja. E não importa a escolha que faça e o que está em jogo.

Mas, atenção: esse tipo de sonho traz ensinamentos valiosos para a gente – adulto – também. Por isso, acredite. Essas aparentes alucinações, tão comuns em uma criança, mas que os adultos nem sempre dão atenção, podem ser a primeira etapa para a realização de uma meta. E sabe por quê? O sonho nos mantém vivos e otimistas. A partir deles é possível destrinchar o conjunto que o compõe e obter a real intenção do indivíduo.

Vou exemplificar isso por meio de uma conversa que tive com uma mulher, certa vez.

Naquele dia falávamos sobre a vida cotidiana e como sobra pouco tempo no dia para fazer tudo aquilo que queremos. Ela me confidenciou, então, que sua fantasia era ter um clone da Rosie, do desenho animado dos Jetsons, em casa. Para quem não sabe, a Rosie é uma empregada doméstica robô que trabalha para a família. É um modelo fora de linha, mas que os Jetsons amam e nunca trocariam por outro mais moderno. Rosie, afinal, faz todo o trabalho de casa e também ajuda como babá.

Achei aquilo no mínimo curioso. E ela continuou o seu discurso:

Seria incrível ter a Rosie por perto, fazendo as coisas por mim. Além disso, me sobraria tempo para fazer mais as coisas que gosto, ao invés de perder tanto tempo e energia realizando as tarefas da casa.

sonho

A estratégia de criatividade Disney

Ao ouvir suas impressões, me veio à memória que essa, certamente, é o tipo de pessoa cheia de devaneios para a qual diríamos:

Ei, não existem empregadas robôs nesse século. Ao menos, não ainda. Acorde!

Mas não foi isso que respondi a ela. Ao invés disso, para descobrir o que envolvia aquela ilusão, usei uma técnica conhecida como estratégia de criatividade Disney. E, acredite, chegamos a uma meta.



Veja só.

O sonho

Peguei três cadeiras e aconselhei a ela para esquecer a sua realidade por um instante. Pedi, então, que se sentasse na primeira cadeira, a qual chamamos de cadeira do sonho e falasse daquele robô incrível chamada Rosie. A primeira coisa que notei foi o sorriso que surgiu em seu rosto.

Ela prontamente começou a falar de cenários incríveis de uma casa impecável, organizada, em que os brinquedos e as coisas das crianças fossem usadas, mas que também voltassem para seus respectivos lugares. E para onde ela rumaria, cansada, depois de um longo dia de trabalho e essa mesma casa a receberia arrumada, perfumada e limpa. E a acolheria para momentos de descanso. Simples assim.

A crítica

Acabadas as descrições daquele mundo imaginário e ideal, pedi a ela que se sentasse na próxima cadeira. Seria, no caso, a cadeira das críticas. Nessa posição, o objetivo era fazê-la apresentar todo o tipo de críticas à sua própria ideia. Construtivas e positivas, portanto. E, ao mesmo tempo, encontrar informações que pudessem agregar ao desejo da Rosie, a empregada robô.

Então, ela prontamente respondeu:

Não existem robôs como a Rosie, que fazem limpeza. Não nesse século.

Eu sabia que a ficha dela iria cair nessa segunda fase do processo. Afinal, esse era o momento da realidade e não mais da fantasia. E, então, incentivada por mim, ela seguiu o seu raciocínio:

No entanto, essa ideia é muito boa, porque, na verdade, estou terceirizando essa tarefa. Não significa que eu mesma tenha que realizá-la. Eu só não estava percebendo isso. Mas, na verdade, eu ainda posso usar a tecnologia para me ajudar nos afazeres. Ela pode minimizar o tempo e esforço de tudo isso, com equipamentos específicos, como um aspirador robô que varre a casa sozinho ou aplicativos de organização, por exemplo.

E, assim, mais uma etapa do exercício foi realizada.

A realidade

Chegou a hora, então, de sentar na cadeira da realidade. O que aquele sonho e aquelas críticas nos permitiam para criar algo factível?

Assim, ao melhorar as críticas positivas feitas anteriormente, ela percebeu que, de fato, não precisa fazer essas atividades. Poderia, em seu lugar, se organizar para contratar uma faxineira para alguns dias da semana. E ela faria essas tarefas somente quando fosse necessário.

Ao se dar conta disso, rascunhamos um plano de como economizar e também complementar a renda para incluir o valor desse serviço no orçamento doméstico. E verificamos ainda que, mesmo com essa faxina específica, algumas tarefas ainda precisariam ser realizadas por ela, em um primeiro momento.

Assim, elas foram distribuídas estrategicamente na agenda. Para serem realizadas especialmente antes do trabalho, por opção dela, por ser o período de mais vigor físico e motivação, o que viria a impactar minimamente sua rotina. Além disso, também seria necessário educar as crianças para desenvolver habilidades, como a percepção de responsabilidade com os seus pertences, por exemplo.

Conclusão

O sonho, muitas vezes, nos revela intenções ocultas, que ainda não são claros para nós. Isso fica evidente no exemplo da querida robô Rosie e sua inteligência artificial. Ao perceber o real objetivo por trás daquela aparente alucinação, é possível transformar isso em meta e, claro, realizá-la. E isso pode ser feito com planejamento e outras ferramentas de coaching, por exemplo.

Então, mantenha sempre seu radar ligado para todo o devaneio e sonho que rondam a sua cabeça. Nunca perca isso de vista. Dê atenção a esses desejos e esses pensamentos. E sempre busque o real sentido que isso tem para você.

Permita-se, portanto, ter ilusões, aspirações e fantasias de todo o tipo: isso pode significar que uma meta importante está escondida em algum lugar. 

Quer ficar por dentro das novidades sobre metas na advocacia? Faça abaixo seu cadastro e receba materiais do SAJ ADV em seu e-mail.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *