Zona de conforto e estabilidade na advocacia: bom ou ruim?

Tempo de leitura: 6 minutos

Quando a estabilidade na advocacia e a zona de conforto são prejudiciais?

Nós advogados e advogadas estamos sempre em busca de estabilidade. Esse é o desejo recorrente do profissional autônomo, na verdade. E como somos profissionais autônomos, estamos sempre em busca da tal chamada estabilidade dentro da advocacia.

Eu resolvi escrever sobre esse ponto, porque é o objetivo mais buscado pelos meus coaches nos meus processos de coaching para advogados e advogadas. E isto me chamou, então, bastante atenção. Todos querem, desse modo, ter estabilidade e chegar a uma zona de conforto. Mas o que a tal estabilidade tem a ver com zona de conforto?

Tem tudo a ver. Nós buscamos, enquanto indivíduos e profissionais, um sentimento de segurança e estabilidade que nos conceda a realização de perenidade que pensamos que queremos. Mas será que nós realmente queremos essa estabilidade na nossa profissão? O quanto essa busca por estabilidade compromete nossa paz? Será que realmente estabelecemos como objetivo e depois metas a sonhada estabilidade na advocacia?

estabilidade na advocacia

O que é ter estabilidade na advocacia?

Também percebi ao longo dos processos de coaching que a estabilidade para nós advogados resumia-se basicamente em um número de clientes razoável que “pagasse” o escritório e garantisse uma renda “razoável” para viver. Ou seja, a estabilidade na advocacia seria formada por dois elementos principais:

  1. uma clientela; e
  2. um valor de remuneração que não alterasse tanto.

Costumo trabalhar muito com meus clientes do processo de coaching que a ideia de estabilidade é vaga e fluida, por mais que queiramos dar uma concretude a ela. E mais: ela assume conteúdos diferentes a depender da fase da vida em que estamos.



Diferentes perspectivas sobre a estabilidade profissional

Ao escolhermos uma profissão em que não há um salário pré-definido, como num emprego público ou privado, devemos estar totalmente conscientes de que temos o total livre arbítrio para definir as nossas premissas de trabalho e atuação. E estas poderão, então, garantir a ideia de estabilidade que nos comporta naquele momento. Como assim?

Veja que se nós nos submetemos, por exemplo, a um trabalho de advogado ou advogada num escritório de advocacia de terceiros, temos que aceitar as premissas de trabalho ali colocadas. É o caso, por exemplo, de uma jornada de trabalho a cumprir, os valores, percentuais de ganho e honorários advocatícios, carteira de clientes, também pré-definidos. Sim, podemos ter um campo de negociação com o advogado, dono do escritório, mas nossa margem de liberdade é sempre limitada. Nesse cenário de trabalho, possivelmente ganharemos um valor definido e percentuais por causas extras. E isto nos garante, desse modo, um tal “salário mensal”. Mas seria esta a tal estabilidade buscada na advocacia?

Num outro cenário, em que eu promovo parcerias com colegas ou em que construo uma sociedade de advogados, eu tenho total liberdade de definir as premissas do meu trabalho. Por exemplo, talvez eu não obedeça uma jornada de trabalho fixa. Por outro lado, contudo, não tenho a “garantia” de um valor fixo mensal no qual possa totalmente me apoiar. Talvez eu não tenha sequer um escritório próprio e trabalhe em co-workings. Quanto mais no início da advocacia ou de um novo projeto, mais presente será, então, essa característica.

Como ter estabilidade na advocacia contemporânea?

O que queremos dizer com isso? Que devemos escolher caminhos e aprender a assumir as vantagens e desvantagens dele. Todo caminho tem seu lado positivo e negativo, e normalmente querendo o bom dos dois caminhos, o que nos fruta diuturnamente.



A advocacia é uma profissão em contínua construção, sobretudo na atualidade. Não estamos prontos nunca, tampouco estáveis. Vivenciamos bons períodos de muita colheita, devido ao intenso período de plantio que promovemos. É dizer, portanto: é uma profissão que se constrói no dia a dia, que demanda paciência, persistência, bom ânimo, criatividade, boa capacidade de análise de mercado, social e econômico, e principalmente boas parcerias. É tentar entender o cenário externo, a política e os rumos do país. Mas é também mergulhar no seu diferencial. Ou seja, desenvolver habilidades novas a cada dia, e nunca estacionarmos numa zona de conforto aparentemente boa, pois ela é só um momento na jornada!

Trata-se de uma profissão em que todo dia decidimos um rumo, revemos nossas metas e objetivos e reavaliamos o roteiro. E fincamos raízes fortes quando não passamos por bons momentos. Dessa forma, trata-se de entender como estamos lidando com nossas expectativas internas. Mas também como estamos respondendo à demanda externa, porque há uma grande relação de reciprocidade entre esses dois campos.

Ferramentas para sair da zona de conforto

O coaching trabalha no âmbito de crenças enraizadas que acabam modelando nossa forma de atuação. E nos dá condições de entender onde estamos errando e onde estamos acertando. Com essas ferramentas e com boas reflexões, passamos a conhecer mais o caminho. Fatalmente descobrimos, contudo, que mudanças precisam ser feitas, com seriedade, criatividade e disciplina, a fim de obtermos resultados diferentes na nossa profissão.

A zona de conforto pode até chegar para nós, mas ela não é um local seguro para pousarmos nossos sonhos e objetivos, porque ela logo vai embora. É como um pássaro que vem nos agraciar a vista, mas parte sem avisar.

É bem verdade que esse dinamismo dos acontecimentos sociais, a instabilidade econômica e das decisões judiciais, em todas as esferas, traz muita “instabilidade” para a advocacia, uma profissão que sempre dependeu de uma análise de risco do advogado para seu cliente. Dessa forma, em períodos de muita mudança no entendimento de direitos que são fundamentais para a população, causando uma extrema insegurança jurídica para nós profissionais que muitas vezes não conseguimos avaliar corretamente os rumos de um processo, é preciso criar alternativas estratégicas para não tornar nossa profissão tão susceptível aos fatores externos. Avalie trabalhar mais com consultoria e assessoria jurídicas, compreenda que nós vendemos informações qualificadas e cobre por suas consultas jurídicas, enfim, crie novas formas de atuação profissional que não eram características da advocacia, mas que hoje cabem diante da sociedade em que vivemos.

Advocacia de risco

Advocacia de risco hoje? Isso é coisa do passado! Esse cenário nos leva a trabalhar ainda mais nossa criatividade e criar campos de atuação que trarão novidades para a advocacia do futuro, ou, por que não dizer, do agora.

Todos esses fatores trazidos aqui a título de exemplo, trazem essa sensação de movimento e incerteza com as quais precisamos lidar e aprender a ressignificar. Saber que, sim, a liberdade e o dinamismo são características da advocacia, e que com elas vem um lado B, que precisamos superar. E assim, devemos reinventar novas formas de viver da advocacia com amor, tranquilidade e, acima de tudo, com dignidade ética.

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